A polêmica sobre os recursos de Libra que ficarão no Brasil
publicado em 22 de outubro de 2013 às 20:18
A tabela flutuante adotada pela ANP foi questionada na Justiça por Sauer e Comparato
por Luiz Carlos Azenha
Foi um dos debates mais quentes dos últimos dias. E, pelo jeito, vai continuar, já que as avaliações são bastante diversas.
PAULO CÉSAR RIBEIRO LIMA (na Rede Brasil Atual):
O
consultor da Câmara dos Deputados para Assuntos de Petróleo e Gás,
Paulo César Ribeiro Lima, questionou os cálculos da ANP. De acordo com
ele, com base no edital do leilão, a participação da União será muito
menor que o anunciado, podendo chegar a 9,93% (de 41,65%) caso o valor
do barril de petróleo despenque no mercado internacional e a
produtividade da produção de Libra também seja reduzida.
Para
ele, esse cenário não é tão improvável assim, uma vez que a produção
mundial pode ser elevada principalmente pelo aumento da produção
americana de Shale oil, categoria de óleo extraído do xisto betuminoso.
Além do mais, o preço do barril já chegou a R$ 60,00 e a produção já
caiu a menos de 4 mil barris diários.
“Pelas
regras, a remuneração de 41,65% é calculada numa perspectiva de
produção de 12 mil barris por dia, cada um no valor entre 100 e 120
dólares. Se ambos subirem, o percentual sobe para 45,56%. Mas se caírem,
pode chegar a 9,93%”, afirmou.
“Quem perde com isso é a educação,
que receberá 75% dos royalties, e a saúde, que ficará com 25%”. Os
royalties correspondem a 15% do valor do barril.
Essa
matemática, conforme Lima, chega a ser mais desfavorável ao país do que
em um regime de concessão. “Por esse regime, Libra pagaria perto de 40%
independente da produção e do preço do barril”.
Conforme ele, as
regras estabelecidas para o leilão de Libra são diferentes daquelas do
regime de partilha de outros países. “Se Libra fosse na Noruega, o
governo norueguês ficaria com mais de 60% da produção, e não as
empresas; aqui não teve leilão, e sim um acordo entre a Petrobras, que é
mais privada que estatal, com 53% de capital social estrangeiro, e as
companhias multinacionais.”
EMANUEL CANCELLA (do Sindipetro-RJ, em comentário):
A
presidenta agora diz que o Brasil vai ficar com oitenta e cinco por
cento da renda de Libra. Ora o Brasil ficou com 40% do petróleo de libra
e doou para às multis 60%, como vamos ficar com 85% da renda? Esses
números não batem, alguém está mentindo nessa história! Para entender o
leilão de Libra: você descobre um tesouro no terreno de sua casa, mas
como você é muito bonzinho, doa mais da metade do tesouro, 60%, para
vizinhos ricos. E também, como você não consultou o restante de sua
família, dona Dilma não consultou os brasileiros para fazer essa doação.
A presidenta em rede nacional diz para os brasileiros que fez um
excelente negócio.
Diferentemente
dos portos e aeroportos, nos quais o governo fez concessão por 30 anos
e, ao final, o estado pega de volta os ativos, no petróleo é
privatização mesmo, pois, depois de quarenta anos de concessão, prazo
concedido pela ANP, nada mais vai restar do campo de Libra, todo o
petróleo do campo já estará produzido e vai restar para os brasileiros
somente o passivo ambiental.
Dilma
não somente está doando nosso petróleo, como também está leiloando os
terminais da Petrobrás, pois dia 25/10 tem leilão dos terminais de São
Paulo, do Norte e Nordeste. Os terminais foram construídos nos 60 anos
da Petrobrás com pesados investimentos públicos e agora dona Dilma manda
para leilão. Na Petrobrás da Dilma, nós brasileiros vamos pagar aos
empresários para utilizar os terminais que eram nossos.
ILDO SAUER (entrevista ao Viomundo):
Aqui
não dá para saber [com quanto a união vai ficar] porque, como te falei,
é uma tabela variável. Se o preço ficar como está e os poços não
declinarem na produção — mas eles vão declinar — seriam 41% do lucro
para o governo, mais a fração que cabe à Petrobras. A Petrobras vai ter
40% do consórcio e o governo detem 48% da Petrobras, então você pode
fazer uma estimativa.
Na
fração do óleo-lucro do consórcio privado o governo terá 48% de 40%, o
que dá mais ou menos 19% via Petrobras e consórcio e do óleo-lucro terá
41,65% se as condições normais se mantiverem, o que levará para o
governo uma fração em torno de 60%.
PRESIDENTA DILMA ROUSSEFF (em discurso)
Queridos brasileiros e queridas brasileiras,
As
etapas de viabilização do pré-sal têm acumulado, até agora, grandes
vitórias. As etapas futuras vão trazer, sem dúvida, novos desafios. Mas
eu tenho certeza que o Brasil responderá à altura.
Além
da vitória tecnológica que foi a descoberta, pela Petrobras, destas
gigantescas jazidas, o modelo de partilha que nós construímos significa
também uma grande conquista para o Brasil. Com ele, estamos garantindo
um equilíbrio justo entre os interesses do Estado brasileiro e os lucros
da Petrobras e das empresas parceiras. Trata-se de uma parceria onde
todos sairão ganhando.
Pelos
resultados do leilão, 85% de toda a renda a ser produzida no Campo de
Libra vão pertencer ao Estado brasileiro e à Petrobras. Isso é bem
diferente de privatização. As empresas privadas parceiras também serão
beneficiadas, pois, ao produzir essa riqueza, vão obter lucros
significativos, compatíveis com o risco assumido e com os investimentos
que estarão realizando no país. Não podia ser diferente. As empresas
petroleiras são parceiras que buscam investir no país, gerar empregos e
renda e, naturalmente, obter lucros com esses investimentos. O Brasil é –
e continuará sendo – um país aberto ao investimento, nacional ou
estrangeiro, que respeita contratos e que preserva sua soberania.
Por
tudo isso, o leilão de Libra representa um marco na história do Brasil.
Seu sucesso vai se repetir, com certeza, nas futuras licitações do
pré-sal. Começamos a transformar uma riqueza finita, que é o petróleo,
em um tesouro indestrutível, que é a educação de alta qualidade. Estamos
transformando o pré-sal no nosso passaporte para uma sociedade futura
mais justa e com melhor distribuição de renda.
PS do Viomundo:
A tabela flutuante adotada pela Agência Nacional de Petróleo (ANP),
aliás, é uma das “ilegalidades” apontadas pelo jurista Fábio Konder
Comparato na ação que moveu — ao lado de Ildo Sauer — contra o leilão
(íntegra abaixo).
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