domingo, 2 de fevereiro de 2014

DO CARÁTER PEDAGÓGICO DA PENALIDADE: TST confirma decisão do TRT-SC, fixando-se em R$ 150.000,00 para cada um.

TST – Tribunal Superior do Trabalho
 

Turma confirma indenização a família de mineiro vítima de pneumoconiose

 

A Segunda Turma do Tribunal Superior do Trabalho confirmou a condenação da Companhia Brasileira de Alumínio (CBA) em danos morais pela morte de um trabalhador vítima de pneumoconiose.  Além da necessidade da reparação aos familiares do empregado falecido, os ministros consideraram proporcional o valor, fixado em R$ 150 mil, a ser pago a cada autor da ação. Ressaltaram, ainda, o caráter pedagógico da penalidade, considerando a gravidade dos atos praticados pela mineradora.
Entenda o caso
A CBA recorreu ao TST pretendendo a reforma de decisão do Tribunal Regional do Trabalho da 12º Região (SC) que lhe impôs condenações diversas, dentre elas o pagamento de indenização por danos morais pela doença e morte do furador de subsolo. O técnico, em razão de suas atividades profissionais, contraiu pneumoconiose, doença ligada à atividade mineradora. O Regional destacou a incidência dessa enfermidade em empregados de empresas de mineração do sul do estado, constatada ante o grande número de ações ajuizadas na sua jurisdição.
Ao estabelecer o valor da reparação por danos morais, o TRT levou em consideração que a morte prematura do empregado privou os autores da ação trabalhista do convívio familiar com o marido e pai. Contou, ainda, para a estimativa da indenização individual de R$ 150 mil à viúva e filhos o elevado capital da empresa, superior a R$1,5 bilhão. A Corte Regional destacou que, no seu próprio portal eletrônico, consta que a CBA é uma das maiores empresas mundiais do setor de mineração.
Para o relator do recurso da empresa ao TST, ministro José Roberto Freire Pimenta, foi correta a condenação imposta e acertado o valor atribuído para a reparação ao sofrimento dos familiares.
A decisão foi unânime e os autos já retornaram ao TRT-SC.
(Cristina Gimenes/CF)
O TST possui oito Turmas julgadoras, cada uma composta por três ministros, com a atribuição de analisar recursos de revista, agravos, agravos de instrumento, agravos regimentais e recursos ordinários em ação cautelar. Das decisões das Turmas, a parte ainda pode, em alguns casos, recorrer à Subseção I Especializada em Dissídios Individuais (SBDI-1).
Esta matéria tem caráter informativo, sem cunho oficial.
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Tribunal Superior do Trabalho
Tel. (61) 3043-4907
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Poder Global & Hegemonia Americana: A mantença das fronteiras continentais absolutamente seguras. dentro do tabu

Brasil, EUA e o "hemisfério ocidental"

 
Por José Luís Fiori
Noah Friedman-Rudovsky/Bloomberg
"As terras situadas ao sul do Rio Grande constituem um mundo diferente do Canadá e dos Estados Unidos. E é uma coisa desafortunada que as partes de fala inglesa e latina do continente tenham que ser chamadas igualmente de América, evocando similitudes entre as duas que de fato não existem". N. Spykman, "America's Strategy in World Politics, Harcourt, Brace abd Company, New York, 1942, p: 46
Tudo indica que os Estados Unidos serão o principal contraponto da política externa brasileira, dentro do Hemisfério Ocidental, durante o século XXI. E quase ninguém duvida, também, que os EUA seguirão sendo por muito tempo a principal potência militar e uma das principais economias do mundo. Por isto é fundamental compreender as configurações geopolíticas da região e a estratégia que orienta a política hemisférica americana deste início de século.
Ao norte do continente, o poder americano foi, é e seguirá sendo incontrastável, garantindo-lhe fronteiras continentais absolutamente seguras. Além disto, a assimetria de poder dentro da América do Norte é de tal ordem que o Canadá e o México tendem a convergir cada vez mais, atraídos pela força gravitacional do poder econômico e militar dos EUA. O que não significa, entretanto, que o Canadá e o México ocupem a mesma posição junto aos EUA e dentro do tabuleiro geopolítico e econômico regional, apesar dos três países participarem do "Tratado Norte-Americano de Livre Comercio" (Nafta) desde 1993.
Em relação aos países ao sul da Colômbia e da Venezuela, objetivo era impedir que surgisse um polo alternativo de poder
O Canadá ocupa uma posição única, como ex-colônia e ex-domínio britânico, que, depois da sua independência e da Segunda Guerra Mundial, transferiu-se para a órbita de influência direta dos EUA, transformando-se em sócio comercial, aliado estratégico e membro do sistema de defesa e informação militar dos povos de "língua inglesa", comandado pelos EUA, e composto pela Inglaterra, Austrália e a Nova Zelândia. Neste contexto, o México ocupa apenas a posição de enclave militar dos EUA, uma espécie de "primo pobre", de "fala latina", ao lado das potências anglo-saxônicas.
Mais do que isto, o México é hoje um país dividido e conflagrado por uma verdadeira guerra civil que escapa cada vez mais ao controle do seu governo central, mesmo depois do acordo de colaboração militar assinado com os EUA em 2010. E mesmo com relação ao Nafta, a economia mexicana se beneficiou em alguns poucos setores dominados pelo capital americano, como automobilística e eletrônica, mas ao mesmo tempo, nestes últimos vinte anos, o México foi o único dos grandes países latino-americanos em que a pobreza cresceu, atingindo hoje, 51,3% da sua população. Hoje a economia mexicana é inseparável da americana e a política externa do país tem escassíssimos graus de liberdade, atuando quase sempre como ponta de lança da política econômica internacional dos EUA, como no caso explícito da "Aliança do Pacífico".
Do ponto de vista estritamente geográfico, a América do Norte inclui o istmo centro-americano, que Nicholas Spykman coloca ao lado dos países caribenhos, e da Colômbia e Venezuela, dentro de uma mesma zona de influência americana, "onde a supremacia dos EUA não pode ser questionada. Para todos os efeitos trata-se um mar fechado cujas chaves pertencem aos EUA o que significa que ficarão sempre numa posição de absoluta dependência dos EUA" (N.S, p: 60). O que explica as 15 bases militares dos EUA, existentes na América Central e no Caribe. Foi uma região central na 2ªGuerra Fria de Ronald Reagan e será muito difícil que se altere a posição americana nas próximas décadas, muito além da das "dissidências" cubana e venezuelana.
Por último, a política externa americana diferencia claramente os países situados ao sul da Colômbia e da Venezuela, onde seu principal objetivo estratégico foi sempre impedir que surgisse um polo alternativo de poder no Cone Sul do continente, capaz de questionar a sua hegemonia hemisférica. Com relação a estes países, os EUA sempre utilizaram a mesma linguagem, com duas tônicas complementares: a dos acordos militares bilaterais e a das zonas de livre comércio.
Os acordos militares começaram a ser assinados no fim do século XIX e a primeira proposta de uma zona pan-americana de livre comércio foi apresentada pelo presidente Grover Cleveland, em 1887, um século antes da Alca, proposta em 1994 e rejeitada em 2005, pelos principais países sul-americanos. Não existe uma relação mecânica entre os fatos, mas chama atenção que pouco depois desta rejeição os EUA tenham reativado sua IV Frota Naval, com objetivo de proteger seus interesses no Atlântico Sul. A este propósito cabe lembrar o diagnóstico e a proposta de Nicholas Spykman (1893-1943), o teórico geopolítico que exerceu maior influência sobre a política externa dos EUA no século XX: "fora da nossa zona imediata de supremacia americana, os grandes estados da América do Sul (Argentina, Brasil e Chile) podem tentar contrabalançar nosso poder através de uma ação comum[...] e uma ameaça à hegemonia americana nesta região do hemisfério (a região do ABC) terá que ser respondida por meio da guerra" (N.S p: 62 e 64). Estes são os termos da equação, e a posição americana foi sempre muito clara. O mesmo não se pode dizer da política externa brasileira.
José Luís Fiori, professor titular de economia política internacional da UFRJ, é autor do livro "O Poder Global", da Editora Boitempo, e coordenador do grupo de pesquisa do CNPQ/UFRJ "O Poder Global e a Geopolítica do Capitalismo". Escreve mensalmente às quartas-feiras.

POR UM NOVO MODELO ECONÔMICO DE INCLUSÃO SOCIAL: Milhões de honestos trabalhadores sem Empregos.

ANTONIO DELFIM NETTO
Mercosul
Se tomarmos distância e tentarmos discernir quais os fenômenos que caracterizam o momento em que vi- vemos, talvez possamos apontar seis deles:
1. A evolução do clima, que, em parte, é resultado da dinâmica do sistema planetário (sobre a qual pouco podemos fazer) e, em parte, é resultado da ação do homem na apropriação da natureza finita para atender ao crescimento da população mundial.
2. Uma globalização do sistema produtivo, estimulada pela "mundialização" financeira gestada pela livre movimentação dos capitais e pela facilidade de informação. Nela, as nações politicamente independentes são, cada vez mais, peças importantes, mas dispensáveis, na produção global.
3. O resultado mais deplorável dessa dominância financeira foi uma exacerbada concentração de renda. A solução da grande recessão de 2007 mostrou que, em larga medida, o mercado financeiro apropriou-se do sistema político, com graves consequências: os patifes que promoveram o assalto ao cidadão incauto (sob a proteção dos olhos complacentes dos governos) estão muito bem, enquanto mais de 40 milhões de honestos trabalhadores de todo o mundo ainda estão sem emprego. A falta de uma resposta política eficiente e rápida para esse problema é uma das mais sérias ameaças à democracia.
4. Houve, em compensação, um claro avanço das relações entre a organização econômica (o "mercado"), que o homem foi encontrando num processo de seleção histórica para satisfazer objetivos não inteiramente compatíveis, e o processo democrático (a "urna"), o que reduziu a angústia da procura de soluções mágicas para resolvê-los.
5. Um rápido processo de urbanização, que acarreta profundas consequências ecológicas no comportamento humano e cria um ambiente vulnerável.
6. E, finalmente, a emergência de uma forma revolucionária de interação popular paralela à da representação democrática clássica. Ela tornou-se possível pelos rápidos e incontroláveis avanços da tecnologia de informação. Ainda estamos longe de entender suas consequências práticas, a longo prazo, nas relações entre o cidadão e o Estado (que tenta controlar a tecnologia).
Como resulta claro desses fenômenos, nenhum grupo de pequenos países pode enfrentá-los. Se, por um lado, é preciso uma coordenação mundial, por outro, é necessário o reconhecimento de cada um, por mais importante que pense ser, de que é apenas uma engrenagem pequena ou grande que, ou se integra no processo produtivo global, ou será desembreado dele! Esse será, por exemplo, o destino dos países do Mercosul se não entenderem o processo...

TRABALHO INFANTIL & COLETA DE LIXO: A Prefeitura da Capital de Rondônia, Porto Velho, e a empresa Marquise.

Procuradoria Regional do Trabalho da 14 ª Região
 
Ação do MPT-RO para impedir trabalho infantil em lixão resulta na condenação de Prefeitura e da empresa de coleta Marquise ao pagamento de 5 milhões de reais
Rondônia - A Prefeitura da Capital de Rondônia, Porto Velho, e a empresa responsável pela coleta dos resíduos sólidos Marquise S.A (Ecoporto), acionadas na Justiça pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) em Rondônia, foram condenadas ao pagamento de 5 milhões de reais para reparação de dano moral coletivo e, ainda, em antecipação de tutela, a impedir o trabalho e acesso de crianças e adolescentes da Vila Princesa ao local onde são depositados os resíduos recolhidos pela empresa. A Vila Princesa é uma comunidade localizada no entorno do lixão da cidade.
A decisão foi proferida pelo Juiz do Trabalho José Roberto Coelho Mendes Júnior, da 5ª Vara do Trabalho de Porto Velho, ao julgar Ação Civil Pública, cumulada com pedido de liminar, proposta pelo MPT. A ação foi ajuizada pela Procuradora do Trabalho Clarisse de Sá Faria, em janeiro de 2013, na época coordenadora do combate ao trabalho infantil na regional do MPT em Rondônia,  tendo sido a referida demanda judicial acompanhada pela atual Procuradora oficiante, Amanda de Lima Dornelas.
O juízo determinou que sejam implementados programas de inclusão social, caso já existam, ou criados, para proporcionar a inclusão social dos menores da comunidade, sobretudo os que trabalharam ou trabalhem catando lixo, sob pena do pagamento de multa de R$ 300 mil para cada vez que for constatada e comprovada a presença de crianças e adolescentes no local.
Em janeiro de 2013, o Ministério Público do Trabalho conseguiu que o pedido liminar requerido na Ação Civil Pública fosse deferido, em parte, pela Juíza do Trabalho Arlene do Couto Ramos, titular da 5ª Vara do Trabalho de Porto Velho. Na ocasião, a juíza determinou que fosse impedido o acesso das crianças e adolescentes à área do lixão, tendo determinado que a Superintendência Regional do trabalho e Emprego fiscalizasse o cumprimento da decisão. Fixou, ainda, multa no importe de R$ 300 mil reais a serem pagos pelas empresas e a municipalidade, se encontrada criança ou adolescente no local.
Ao fundamentar a decisão, o juízo afirma que os réus construíram verdadeira barreira de preliminares para impedir a análise da ação, alegando incompetência absoluta da Justiça do Trabalho, ausência de interesse de agir do Ministério Público do trabalho, ilegitimidade ativa e passiva, inépcia da inicial e até mesmo a necessidade de inclusão da União e do Estado no polo passivo, mas todas as alegações foram rejeitadas pelo magistrado.
A decisão dada pelo Juiz José Roberto mantém e amplia os efeitos da antecipação de tutela anteriormente concedida e inclui a obrigação de implementação de medidas pedagógicas, determinando que os 5 milhões de reais a serem pagos por dano moral coletivo tenham destinação social, a ser determinada em comum acordo entre o MPT em Rondônia e o Juízo do Trabalho.
A punição imposta leva em conta a proporcionalidade e a razoabilidade e tem caráter educativo, om o intuito de inibir condutas semelhantes, de acordo com a decisão judicial.
Da decisão judicial cabe recurso.
Íntegra da decisão em anexo.
Informações:
MPT-RO / Ministério Público do Trabalho em Rondônia
(69) 3216-1265 / 3216-1200/ prt14.ascom@mpt.gov.br

DEFASAGEM TECNOLÓGICA & MARKETING DE MERCADO: Velocidade da internet no Brasil é pior que na Argentina.

Jornal do Terra
 
Velocidade da internet no Brasil é pior que na Argentina
Hong Kong liderou lista com melhor conexão do mundo; piores desempenhos foram registrados no Egito (1,2 Mb), Índia (1,4 Mb) e Síria (1,5 Mb)
O Brasil ocupou o 84º lugar no ranking que identificou os 20 países com a conexão de internet mais rápida do globo. O País teve uma velocidade de 2,7 Mb por segundo, ficando atrás da rede argentina (2,8 Mb), do Kuwait (2,8 Mb) e da Arábia Saudita (2,8 Mb). No total, 140 países participaram do relatório da companhia americana Akamai Technologies publicado nesta terça-feira (28).
 
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De acordo com o levantamento produzido pela empresa a cada três meses, a velocidade média de conexão brasileira cresceu 10%. O país também aparece como a sexta maior fonte de ataques do mundo no período.
 
 
Hong Kong liderou a lista com uma velocidade média de 65,4 Mb por segundo, 21% mais rápido do que há um ano e quase quatro vezes a média global. A Coreia do Sul e o Japão completaram o pódio com velocidades de 63,6 Mb e 52 Mb, respectivamente.
 
 
O ranking analisou o desempenho das redes entre os meses de julho e setembro do ano passado levando em consideração  a velocidade média dos serviços durante os momentos de pico de tráfego na rede. Os piores resultados ficaram com o Egito (1,2 Mb), Índia (1,4 Mb) e Síria (1,5 Mb).
 
 
Confira a lista das conexões mais rápidas em momentos de pico do tráfego:
Posição                País        Velocidade
1.            Hong Kong         65,4 Mb
2.            Coreia do Sul     63,6 Mb
3.            Japão    52 Mb
4.            Cingapura           50,1 Mb
5.            Israel     47,7 Mb
6.            Romênia             45,4 Mb
7.            Látvia    43, 1 Mb
8.            Taiwan 42,7 Mb
9.            Holanda               39, 6 Mb
10.          Bélgica 38,5 Mb
11.          Suíça     38,4 Mb
12.          Bulgária               37 Mb
13.          Estados Unidos                37 Mb
14.          Kuwait  36,4 Mb
15.          Emirados Árabes Unidos             36 Mb
16.          Reino Unido      35,7 Mb
17.          Canadá                34,8 Mb
18.          República Tcheca            34,8 Mb
19.          Macau  34,4 Mb
20.          Suécia   33,1 Mb
 

UMA NO CRAVO, OUTRA NA FERRADURA & MERCADO GLOBAL: Dilma inaugura porto em Cuba de olho em exportações para EUA.

Jornal do Terra

Dilma inaugura porto em Cuba de olho em exportações para EUA

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·         BBCBrasil.com
 
 
Os 40 quilômetros da estrada Panamericana que ligam a capital Havana ao porto de Mariel parecem sinalizar o caminho das reformas em Cuba. A via costeia o litoral norte da ilha. Logo após deixar Havana, a estrada passa à esquerda da Marina Hemingway, com suas casas luxuosas e modernas instalações náuticas - que abrigam pescadores profissionais de todo o mundo durante o campeonato de pesca ao marlim, ou aguja, como se fala na ilha.
Mas o simbolismo é forte no regime de Raúl Castro. Do outro lado da estrada, como se estivesse fazendo um contraponto à marina "capitalista", está a escola do Partido Comunista Cubano.
A estrada segue plana, com um pavimento bastante razoável. Velhos Dodges americanos e Ladas soviéticos trafegam ao lado de carros chineses e franceses, que ainda são minoria apesar da autorização recente do governo que permite a livre negociação de automóveis.
A Elam, a faculdade latino-americana de medicina, que acolhe centenas de alunos brasileiros anualmente, surge do lado direito da estrada. Seus muros marcam o que pode vir a ser a fronteira física do socialismo cubano e sua mais recente tentativa de modernização econômica.
A partir da Elam, começa a área de 400 quilômetros quadrados que abrigará no futuro a "zona de desenvolvimento especial" de Cuba, uma zona franca e industrial para a qual o governo pretende atrair, com condições favoráveis, indústrias estrangeiras.
Lá deve vigorar um sistema diferente do resto da ilha, onde empresas terão poucas restrições para contratar, contarão com isenção de impostos e não serão obrigadas a se associar com companhias estatais. Mas por enquanto o que se vê na área é muito mato intercalado com algumas plantações, umas poucas casas e praias paradisíacas.
Na entrada do vilarejo de Mariel não há como não notar a fumaça de chaminés de um primeiro - e pequeno - núcleo de indústrias cubanas. A velha fábrica de cimento, que por décadas foi a maior indústria da região, se destaca com seus grandes edifícios, galpões e um termina marítimo. Logo adiante, as quatro grandes gruas do novíssimo terminal de contêineres se destacam sobre o porto de Mariel.
É este caminho que a presidente brasileira percorre nesta segunda-feira para inaugurar a primeira fase do terminal portuário, construído em sua maior parte pela brasileira Odebrecht por meio de um financiamento de US$ 957 milhões do Bando Nacional do Desenvolvimento (BNDES).
Segundo Luis Fernando Ayerbe, coordenador do Instituto de Estudos Econômicos Internacionais da Unesp, desde o governo Lula, o Brasil tenta se tornar o segundo maior parceiro comercial de Havana depois da Venezuela.
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De acordo com ele, o interesse maior do governo cubano no Brasil está em sua capacidade de realizar grandes investimentos na área industrial. "A capacidade da Venezuela é energética, ela não tem capacidade de fazer essas obras", disse Ayerbe. "Essa capacidade brasileira se materializa no porto de Mariel".
Interesse brasileiro
O porto de Mariel já foi uma antiga base de submarinos e também a porta de entrada de ogivas nucleares do que nos tempos da Gerra Fria ficou conhecido como a crise dos mísseis em 1962. Já nos anos de 1980, voltou a atrair a atração do mundo por ser a porta de saída de mais de 120 mil cubanos, os chamados "marielitos", que emigraram em balsas para os EUA.
De grande profundidade, ele poderá receber navios gigantes, capacidade que poucos portos da região têm, inclusive na costa americana. Ele é modernizado no momento em que ocorrem também as obras de ampliação do canal do Panamá.
Após a reforma, o canal será a rota de passagem de navios "pós-panamax", com três vezes mais capacidade de levar contêineres que as embarcações que trafegam pelo local atualmente.
"Boa parte do comércio da Ásia para a costa leste dos Estados Unidos passa pelo canal do Panamá. Essa área (do mar do Caribe) vai ficar muito dinâmica, por isso quase todos os países da região estão reformando seus portos", diz Ayerbe.
Porém, diferente das nações vizinhas, Cuba não pode se aproveitar das oportunidades comerciais relacionadas ao comércio com a costa leste americana devido ao embargo promovido por Washington.
Por isso, o Brasil vê o investimento no porto como uma aposta futura no fim do embargo. A ideia é instalar indústrias nacionais (brasileiras) na zona franca de Cuba para produzir aproveitando-se dos incentivos fiscais e flexibilidade para a contratação da mão de obra cubana altamente qualificada.
Cuba faz 'recauchutagem' antes de chegada de DilmaClique no link para iniciar o vídeoCuba faz 'recauchutagem' antes de chegada de Dilma
​ Dessa forma, o Brasil teria um posto avançado para exportar inicialmente para a América Central e depois eventualmente para os Estados Unidos, segundo Thomaz Zanotto, diretor do departamento de relações internacionais e comércio exterior da Federação das Indústrias do Estados de São Paulo (Fiesp).
A opção por investir em Cuba, em vez de em outro país caribenho, se dá exatamente pelo isolamento de Havana - onde o Brasil não sofre com a concorrência americana.
Por enquanto, as duas nações ainda discutem que tipo de empresas brasileiras se instalariam na zona franca cubana. As negociações apontam para indústrias de alta tecnologia, que tirariam proveito da qualificação dos trabalhadores cubanos. Umas das primeiras opções é a indústria farmacêutica.
Críticas
As principais críticas ao investimento no porto de Mariel partem de partidos opositores - como o PSDB, que se baseia no fato de que o governo brasileiro investe mais em Mariel do que nos portos nacionais.
Os opositores acusam o governo Dilma Rousseff de direcionar os investimentos a Cuba devido a um alinhamento ideológico com Havana.
Segundo Zanotto, a crítica "não procede", pois "cada projeto é um projeto". Ou seja, o eventual não investimento em Cuba não necessariamente levaria o dinheiro aos portos do Brasil, onde fatores como restrições ambientais estariam dificultando a agilização de projetos.
"O Brasil é gigantesco mas sofre com um apagão de projetos", diz Zanotto.
Outra crítica parte do próprio empresariado. Eles desconfiam da capacidade do governo cubano de honrar sua divida com o Brasil. Contudo, segundo Zanotto, as garantias estariam relacionadas ao próprio faturamento do porto em dólares.
Inauguração
Dilma Rousseff e o presidente Raúl Castro devem inaugurar a primeira etapa da construção do porto de Mariel nesta segunda-feira.
Participarão da cerimônia chefes de Estado de países como Argentina, Venezuela, Jamaica e Bolívia. Em seguida, Dilma e Raúl seguem para um encontro privado em Havana.

MARQUETING & FUMO/CIGARRO UM VÍCIO QUE MATA: Cowboy da Marlboro morre por insuficiência respiratória.

Jornal do Terra
 
Cowboy da Marlboro morre por insuficiência respiratória
Eric Lawson morreu no dia 10 de janeiro; doença está relacionada ao tabagismo
Eric Lawson atuou em campanhas da Marlboro na década de 1970 Foto: ReproduçãoEric Lawson atuou em campanhas da Marlboro na década de 1970Foto: Reprodução
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O ator Eric Lawson, que interpretou um cowboy nos anúncios da marca de cigarros Marlboro na década de 1970, morreu no dia 10 de janeiro por insuficiência respiratória relacionada ao tabagismo, segundo informações publicadas nesta segunda-feira pelo jornal Daily Mail. Lawson tinha 72 anos e faleceu em casa, em San Luis Obispo, na Califórnia.
De acordo com a publicação, o ator fumava desde os 14 anos e participou dos anúncios da empresa entre 1978 e 1981. Durante a carreira, Lawson atuou em seriados como As Panteras e Baywatch. Em entrevista ao jornal, a esposa do ator afirmou que ele manteve o hábito de fumar até ser diagnosticado com doença pulmonar obstrutiva crônica – nome de uma coleção de doenças pulmonares que incluem bronquite crônica e enfisema. Além da mulher, Lawson deixa seis filhos, 18 netos e 11 bisnetos.