sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

SEM FISCALIZAÇÃO & DESCUMPRIMENTO DA LEGISLAÇÃO INFORTUNÍSTICA.

Obra da Arena Amazônia descumpria 63 de 64 obrigações trabalhistas
LUCAS REIS
DE MANAUS
Ouvir o texto
A construtora Andrade Gutierrez descumpria 63 de 64 obrigações relacionadas a normas de proteção à saúde e segurança do trabalhador na obra da Arena Amazônia, segundo perícia realizada pelo Ministério Público do Trabalho nesta semana.
Essas obrigações foram estipuladas em liminar emitida em maio pela Justiça do Trabalho do Amazonas. A 64ª norma não foi averiguada porque envolvia a etapa de escavações, já encerrada.
Segundo os procuradores do trabalho que participaram da perícia, a construtora comprometeu-se a corrigir as falhas. Em audiência realizada na tarde desta quarta-feira, a Justiça liberou as obras em altura, que estavam suspensas, mas proibiu que os trabalhadores atuem na cobertura do estádio sem que haja luz natural.
"Cerca de 90% dos andaimes, por exemplo, estavam irregulares, sem guarda-corpo ou trava. Uma nova vistoria será realizada daqui a 30 dias, para averiguação do cumprimento das normas", disse o procurador Jorsinei do Nascimento.
Em caso de novo descumprimento das normas, a Justiça estipulou multa de R$ 20 mil para cada uma delas.
Arena da Amazônia
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/12/14/345744-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310111-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310110-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310108-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310107-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310106-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310105-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/08/20/310104-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/03/29/260226-640x430-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/03/29/260227-640x430-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/03/29/260225-640x430-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/18/199959-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/18/199958-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/18/199957-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/18/199956-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/18/199955-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2012/10/18/199954-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/03/29/260229-970x600-1-medium.jpeg
§  http://f.i.uol.com.br/fotografia/2013/03/29/260228-640x480-1-medium.jpeg
Bruno Kelly/Reuters
Trabalhador observa construção da Arena da Amazônia, em Manaus
A Justiça do Trabalho do Amazonas liberou, nesta quarta-feira, as obras em altura da Arena Amazônia, embargadas desde o último fim de semana, quando um operário caiu da cobertura e morreu. No entanto, os trabalhos que envolvem a cobertura não poderão mais ser feitos sem luz natural.
A decisão ocorre após acordo entre a construtora e os procuradores do trabalho, que terminaram nesta quarta-feira a perícia judicial realizada no local.
A Arena Amazônia terá capacidade para 43 mil pessoas e receberá quatro partidas do Mundial, como Inglaterra x Itália e Portugal x EUA.
O novo estádio está 93,31% concluído e tem custo estimado de R$ 605 milhões.

AVANÇO SOCIAL & AGENTE DA MORTE: Vereadores derrubam Veto.

Banimento do Amianto no Município

Câmara derruba mais um veto prefeitural

Em sessão agitada, prefeito Luiz Carlos Setim apresentou balanço do primeiro ano de mandato.
http://www.cmsjp.com.br/wp-uploads/2013/12/5-040-300x216.jpg
             A última sessão ordinária de 2013, realizada nesta quinta-feira (12), foi agitada na Câmara Municipal. O prefeito Luiz Carlos Setim apresentou o balanço do seu primeiro ano de mandato e os vereadores derrubaram veto parcial do executivo ao projeto de lei 35/2013 que proíbe a utilização de amianto no âmbito do município. Houve participação massiva da Força Sindical.
            Acompanhado de secretários e do vice-prefeito, Toninho da Farmácia, Setim parabenizou o trabalho dos vereadores. “Muitas conquistas do município aconteceram graças ao apoio da Câmara, apesar de algumas opiniões divergentes, mas sempre respeitando a independência entre os poderes”, disse. O prefeito também apresentou dados positivos das secretarias como novas unidades de saúde, vagas em creches, novos postos de trabalho, programas culturais, entre outros.
            Setim comentou o veto parcial ao projeto do amianto. “Apenas alguns parágrafos foram modificados, o que acredito que não mudará o objetivo principal da lei, que é proibir o amianto em São José dos Pinhais”. O veto se deu em relação à obrigatoriedade de inserção em placas indicativas nas obras municipais com a seguinte mensagem: “Nesta obra não utilizamos amianto ou produtos derivados, pois são prejudiciais à saúde” e divulgação em órgãos públicos. De acordo com o executivo, não há no projeto o cálculo de despesas para essa publicidade e o legislativo não pode criar despesa de caráter continuado ao executivo.
            No entanto, os vereadores derrubaram, por 14 votos a 4, o veto. Lembrando que segundo o regimento interno da Casa, o presidente não vota e dois vereadores estiveram ausentes. Segundo um dos autores do projeto, o 2º secretário Aílton Fenemê, a divulgação é essencial. “Para quê aprovamos um orçamento quase cinco milhões por ano só para publicidade? Como o executivo diz que não tem recurso para divulgação desse projeto que é tão importante?” questionou o vereador que pediu o apoio dos demais.
            A Câmara encerrará seus trabalhos legislativos com realização de sessão extraordinária nesta sexta-feira (13), para votação do veto integral ao projeto de lei 225/2013 que institui o Fundo Especial da Câmara Municipal, que tem por objetivo a construção de um prédio anexo. Também serão votados demais projetos que ainda estão pendentes.
http://www.cmsjp.com.br/wp-uploads/2013/12/5-042-300x158.jpg
Luiz Carlos Setim apresentou balanço do primeiro ano de mandato.
http://www.cmsjp.com.br/wp-uploads/2013/12/5-158-300x177.jpg
Força Sindical comemora derrubada do veto.
Renata Teixeira Gomes
Fotos: Fernanda Grebogy
Assessoria de Imprensa 12/12/2013

DESMONTE DA LEGISLAÇÃO SOBRE AGROTÓXICO & SOCIEDADE.

 
Moção sobre desmanche da legislação sobre agrotóxicos
Está sendo veiculada na imprensa a informação de que a Casa Civil prepara uma medida provisória, a ser publicada até o final deste ano, criando uma comissão técnica que passaria a ser responsável pela análise e registro de novos agrotóxicos.
Duas propostas foram apresentadas ao governo: uma encaminhada pelas empresas do setor, que sugere a criação da CTNAgro, subordinada à Casa Civil e com 13 membros, e outra encaminhada pela bancada ruralista, que sugere a criação da CTNFito, composta por 16 membros, e que teria até 90 dias da data da entrega de um processo para se posicionar em relação ao novo registro.
Conforme a proposta, a nova comissão teria poderes para decidir sozinha, suprimindo, assim, as competências dos órgãos de saúde e meio ambiente.
A comissão que se pretende criar é inspirada na CTNBio – Comissão Técnica Nacional de Biossegurança, instituída pela Lei 11.105/2005, e que confiscou as atribuições da Anvisa e do Ibama na avaliação de riscos e de decisão sobre o uso de produtos transgênicos no país. O resultado da criação desse tipo de instância é que até hoje nenhum pedido de liberação comercial de organismo transgênico foi rejeitado, apesar da existência crescente de sérias evidências de riscos.
É preciso lembrar que o expressivo aumento das lavouras transgênicas no Brasil foi um dos grandes responsáveis por levar o Brasil a ocupar, desde 2008, a primeira posição no ranking mundial de consumo de agrotóxicos.
Atualmente, além e ser o campeão mundial no uso de venenos, o Brasil importa e permite a aplicação de produtos proibidos em outros países, sem falar na entrada ilegal de produtos.
O Programa de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em Alimentos (PARA) tem indicado que, nos últimos anos, cerca de 30% dos alimentos consumidos pelos brasileiros apresentam resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos ou resíduos e agrotóxicos não registrados no país. Outros cerca de 40% apresentam resíduos dentro dos limites permitidos – o que, na verdade, não significa que o seu consumo seja seguro, pois o estabelecimento desses limites é fortemente controverso no meio científico.
Agravando ainda mais esse quadro, recentemente, a regulação dos agrotóxicos sofreu mais um grande retrocesso com a aprovação do Projeto de Lei de Conversão (PLV 25/2013) da Medida Provisória 619/2013, cujo artigo 53 deu ao Ministério da Agricultura o poder de anuir temporariamente, à revelia da Anvisa e do Ibama, sobre a importação, produção, distribuição, comercialização e uso de agrotóxicos não registrados no país em caso de declaração, pelo próprio MAPA, de emergência fitossanitária ou zoossanitária.
A medida tinha como objetivo permitir a utilização de venenos à base de benzoato de emamectina para o controle da lagarta Helicoverpa armigera, cuja população explodiu, segundo avaliação do próprio MAPA, como consequência da difusão das lavouras transgênicas Bt.
Diante desse quadro, afirmamos que não é possível aceitar que esse desmanche da legislação sobre agrotóxicos venha do mesmo governo que acaba de assumir compromisso com a Política Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica e que teria como uma de suas mais abrangentes tarefas exatamente lutar pela redução do uso de agrotóxicos no Brasil.
Sendo assim, repudiamos as iniciativas em negociação na Casa Civil e demandamos uma clara posição do governo sobre o que se espera do Plano Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (Planapo) e do seu plano de redução do uso de agrotóxicos.
Brasília, 06 de dezembro de 2013.

Assinam esta moção as seguintes instituições membro da Comissão Nacional de Agroecologia e Produção Orgânica (CNAPO):
 ABA Associação Brasileira de Agroecologia
ANA Articulação Nacional de Agroecologia
AS-PTA Agricultura Familiar e Agroecologia
BrasilBio Associação Brasileira de Orgânicos
CAA-NM Centro de Agricultura Alternativa Norte de Minas
CONTAG – Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura
CTAO – Câmara Temática de Agricultura Orgânica
MIQCB – Movimento Interestadual das Quebradeiras de Coco Babaçu
MMC Nacional – Movimento de Mulheres Camponesas
MPA – Movimento de Pequenos Agricultores
MST Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra
RCSXX – Rede de Comercialização Solidária Xique Xique
Rede Ater Nordeste
Rede Cerrado
Rede Ecovida de Agroecologia
Unicafes – União Nacional das Cooperativas de Agricultura Familiar e Economia Solidária

DEVAGAR COM O ANDOR: Representações diversas da sociedade Civil.

Processo contestado

CNJ prevê votar imposição do PJe nesta terça

Esta previsto para esta terça-feira (17/12) o julgamento no Conselho Nacional de Justiça de uma resolução que determina a implantação do Processo Judicial Eletrônico (PJe), ainda em fase de testes, em todo o Brasil. Advogados, juízes e desembargadores criticam a Resolução, que pode gerar um atraso tecnológico para os tribunais que já usam sistemas eletrônicos próprios e mais modernos.
A Resolução proíbe que tribunais invistam em seus próprios sistemas durante a implantação do PJe. E mais: proíbe que estes tribunais comprem novas soluções de TI. Além do atraso tecnológico, já que o PJe está em fase de testes, os juízes afirmam que a Resolução fere claramente o livre exercício econômico das empresas que implantaram os sistemas eletrônicos em tribunais do país.
Submetida a consulta pública pelo Comitê Gestor do Sistema Processo Judicial Eletrônico do CNJ, a minuta da resolução desesperou as cortes. Pelo menos duas enviaram ofícios ao CNJ afirmando que uma determinação dessa natureza violaria a discricionariedade administrativa dos tribunais, que seriam obrigados a jogar fora todo o investimento já feito nos próprios sistemas para adotar outro cujo desempenho ainda é incerto. De acordo com os tribunais, contratos milionários estão em jogo, assim como anos de adaptações para se chegar ao formato atual.
Contrários ao PJe, 24 diretores de Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho o Paraná elaboraram um manifesto apresentando uma avalanche de críticas pesadas contra o sistema do CNJ. Além disso, nesta segunda-feira (16/12), o Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, os presidentes dos conselhos seccionais da OAB, a Associação dos Advogados Trabalhistas (Abrat), Instituto dos Advogados de São Paulo (Iasp) e o Movimento de Defesa da Advocacia  (MDA) também criaram um manifesto pedindo um aperfeiçoamento do PJe.
As entidades elaboraram um documento com 20 medidas urgentes para evitar que o PJe não seja um perigoso retrocesso e uma ameaça à segurança jurídica — leia abaixo todas as propostas. Entre os pedidos da advocacia está a possibilidade do peticionamento em papel concomitantemente com o eletrônico, além do pedido para transparência dos custos do sistema e acessibilidade total, conforme disposto no Estatuto do Idoso.
Justiça mais lenta
O Processo Judicial Eletrônico foi duramente criticado por 24 diretores de Secretaria do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná em um manifesto direcionado ao presidente da corte na semana passada. E também foi alvo de reclamações da direção do Tribunal Regional Federal da 4ª Região.
“A morosidade e a lentidão são palavras de ordem no PJe-JT. Nele nada acontece e nenhum ato é concluído sem que o magistrado ou o servidor navegue por uma infinidade de telas, clique dezenas de vezes, efetue sucessivas gravações e confirme cada etapa de uma determinada operação, num emaranhado incompreensível de idas e vindas”, afirma um trecho do manifesto assinado pelos diretores de secretaria do TRT do Paraná. Os diretores lembram, no documento, dos “infortúnios” causados pelo PJe nos TRTs do Rio de Janeiro, de São Paulo e de Minas Gerais e afirmam que o descontentamento é geral entre juízes, advogados e servidores.
Segundo os diretores, o programa foi inserido na Justiça do Trabalho “em módulos inacabados e imperfeitos”. E, mesmo após dois anos de funcionamento, ainda não tem “instrumentos indispensáveis às atividades dos magistrados e às rotinas de trabalho dos servidores”.  De acordo com eles, o PJe “impôs aos magistrados uma série de tarefas rotineiras e previsíveis que até então eram desempenhadas por servidores”, o que deixa a Justiça do Trabalho mais lenta. Eles criticaram, ainda, a falta de controle estatístico pelo programa. E disseram que “magistrados que atuam em Varas do Trabalho com PJe-JT tiveram de improvisar, criando notas pessoais de controle de suas atividades”.
Eles dão exemplos de como o sistema pode deixar a Justiça do Trabalho ainda mais morosa. Se houver um documento pendente de assinatura pelo juiz, nenhuma outra ação poderá ser praticada pelo servidor até a conclusão daquela etapa. “Outro exemplo: o servidor só pode elaborar uma guia de retirada por vez. Feito isso, ele terá de aguardar que o magistrado assine a primeira guia para então providenciar a confecção da segunda e assim sucessivamente. Considerando que o magistrado assina os despachos e demais documentos no final do expediente (geralmente após as audiências) e que cada processo envolve a expedição de aproximadamente seis guias, uma rotina que hoje é concluída e minutos pode se estender por mais de uma semana”, em um único processo.
Os diretores chegam a mencionar, inclusive, que “o uso indiscriminado do mouse e do teclado no modelo de trabalho imposto pelo PJe-JT” vai causar lesões por esforços repetitivos e de distúrbios relacionados ao trabalho para servidores e magistrados.
Outro tribunal que se mostrou insatisfeito é o TRF da 4ª Região. A corte opera há mais de 10 anos com o e-proc, sistema de processo eletrônico. A adoção exclusiva do PJe, como quer impor o CNJ, preocupa os magistrados. ''Se esta regra for aprovada, os tribunais estarão impedidos, na prática, de fazer investimentos nos seus sistemas. E, sem estes investimentos, um programa fica defasado e morre'', afirma o juiz-assessor da Presidência do TRF-4, Eduardo Tonetto Picarelli.
O PJe, ainda em fase de testes, vem sendo utilizado por todos os 24 tribunais regionais do trabalho, pelo Tribunal Regional Federal da 5ª Região e pelos Tribunais de Justiça de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Mato Grosso, Maranhão, Minas Gerais e Roraima.
Clique aqui para ler a minuta de resolução do CNJ.
Veja as 20 medidas apontadas pela advocacia:
1. Possibilitar ao advogado realizar o peticionamento pela via física, em qualquer situação, concomitante com o processo judicial eletrônico, em respeito às normas contidas nos arts. 154 e 244 do CPC, relativas à instrumentalidade do processo, bem a observância ao princípio do amplo acesso ao Poder Judiciário;
2. Permitir acesso irrestrito ao PJe através de login e senha, ficando condicionado o uso do certificado digital apenas para assinar as peças que serão inseridas no sistema;
3. Incorporar na plataforma do PJe/CNJ todas as melhorias que o CSJT vem desenvolvendo no Comitê Gestor do PJe-JT, com o exclusivo objetivo de facilitar a vida do advogado, tais como peticionamento em PDF/A e intimação pelo DJe, etc;
4. Implementar função que possibilite ao próprio sistema fracionar automaticamente os arquivos, assim como possibilitar a inclusão de arquivos em lote;
5. Estabelecer o cronograma de unificação das versões do PJe instaladas nos diversos Tribunais do País;
6. Implantar a emissão automática de recibo eletrônico de protocolo em todos os atos processuais, assinado digitalmente, como exigidos pelos arts. 3º e 10º da Lei 11.419/2006 e contemplado pela Resolução n. 94/2012, nos arts. 21, § 1º, e 25, § 3º;
7. Manter funcionalidade que impede a visualização da defesa escrita transmitida ao sistema PJe antes da realização da audiência, devendo esta permanecer oculta até o momento da primeira audiência;
8. Produzir a certidão de indisponibilidade do sistema, em tempo real, a ser implantada em todos os Tribunais;
9. Eliminar a possibilidade de não conhecimento do feito ou indeferimento da inicial, assim como a extinção ou exclusão de anexos e petições, quando se tratar da ordem de numeração e nomeação dos anexos e inserção dos assuntos da reclamatória na ordem da argumentação, fatos não previsto na ordem legal em vigor;
10. Providenciar correção técnica a fim de viabilizar a intimação da testemunha independentemente da informação de sua inscrição no CPF;
11. Criar funcionalidade de assinatura das peças processuais em ambiente externo do sistema, na modalidade off line, assim como implementado pelo Supremo Tribunal Federal;
12. Estabelecer canais de comunicação para atendimento para o usuário externo do sistema nas modalidades online, telefônica e presencial, garantindo pessoal técnico proporcional ao número de usuários do sistema na Região;
13. Corrigir a ineficiência crônica do “Sistema Push”, que não tem prestado aos fins a que se destina;
14. Promover a indispensável transparência acerca dos custos operacionais do sistema, assim como a respectiva publicização dos contratos relativos à implementação e manutenção do sistema PJe;
15. Viabilizar a possibilidade de escolha do sistema operacional pelo usuário externo, implementando-se a interoperabilidade de sistemas operacionais e browsers;
16. Apresentar relatório técnico circunstanciado apontando as falhas da segurança do sistema, seja na infraestrutura, banco de dados ou no aplicativo, confeccionado pela equipe técnica e ainda não informado e divulgado pelo CNJ;
17. Atender as determinações contidas no § 3º do art. 10 da Lei n. 11.419/2006, no que tange a exigência do Poder Judiciário manter equipamentos de digitalização de acesso à rede mundial de computadores à disposição dos interessados;
18. Implementar a apresentação da contrafé, impressa no papel, em cumprimento ao disposto nos arts. 841 da CLT e 223, 225, 226, 228 e 239 do CPC;
19. Impedir que a regulamentação administrativa interna pelos órgãos do Poder Judiciário importe em violação das regras processuais e trabalhistas vigentes;
20. Garantir a completa acessibilidade ao sistema, em cumprimento ao disposto no art. 26 do Estatuto do Idoso e da Lei de Acessibilidade para os deficientes visuais.

A ALAL - Associação Latino-Americana de Advogados Laboralista

                           Noticia
 
A ALAL - Associação Latino-Americana de Advogados Laboralistas subscreve o Manifesto de Transição do PJEO aprovado em Foz do Iguaçú pelo Colégio de Presidentes da ABRAT.
 
Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas
O Colégio de Presidentes da ABRAT, reunido em Foz do Iguaçu no dia 09/11/2013, na forma prevista em seus Estatutos, contando com a presença de 14 (quatorze) representantes de Associações Estaduais, e do Conselho Federal da OAB, após debatidas as questões apresentadas pelas associações estaduais relativas a implantação do PJE-JT, deliberaram e editaram a presente CARTA que, em face do Acordo de Cooperação Técnica 73/2009 é dirigida ao CNJ – Conselho Nacional de Justiça, acompanhada das seguintes considerações:
 
 
CARTA DE FOZ DO IGUAÇU
 
1. Os advogados trabalhistas do Brasil, por sua associação nacional e associações regionais entendem que, o PJE ou qualquer outro sistema de processo eletrônico que venha ser desenvolvido, para atendimento aos princípios constitucionais vigentes deverá:
 
1.1. prever a implantação gradativa, assegurando sempre a convivência do peticionamento, em processos novos ou em curso, pelo meio digital ou físico;
 
1.2. assegurar o acesso e uso, segundo suas particularidades, aos portadores de necessidades especiais e aos idosos, nos termos da legislação vigente;
 
1.3. ser implantando com observância das peculiaridades de cada região, em especial as dificuldades e restrições tecnológicas diferentes, nos grandes centros e nos rincões do Brasil;
 
1.4. cumprir e fazer cumprir, pelos tribunais, o disposto no §3º do art. 10 da Lei 11.419, de 10/12/21006, que prevê a disponibilização de equipamentos necessários ao acesso ao sistema em todas as unidades judiciárias onde o mesmo for implantado;
 
1.5. prever e assegurar a representação paritária entre os representantes da advocacia e do Poder Judiciário nos comitês e comissões de implantação e desenvolvimento do sistema, em todos os seus níveis ;
 
1.6. prever a implantação de mecanismos efetivos de auditoria plena do sistema, inclusive de sua disponibilidade e de procedimentos, preferencialmente por órgãos externos, com participação da advocacia;
 
2. A advocacia trabalhista reconhece o diálogo franco, empenho e comprometimento do TST, na sua atual gestão, no atendimento aos pleitos da advocacia durante a implantação do PJE-JT. Tal postura institucional se recomenda seja seguida pelos demais tribunais do país.
 
2.1. Certos de que este é caminho a ser seguido, os advogados trabalhistas esperam e confiam que as vitórias recentemente obtidas perante o CSJT sejam ampliadas aos demais órgãos do Poder Judiciário (e não amputadas), tais como o peticionamento eletrônico em PDF e a intimação no DJe (Resolução CSJT nº 128/2013),  ou seja, que não seja promovido um retrocesso  na efetivação das normas constitucionais, como as da publicidade e da transparência.
 
3. A ABRAT manifesta seu repúdio a qualquer declaração relativa as questões de acessibilidade do sistema, veiculadas ou proferidas nos órgãos de gestão da implantação do mesmo, que não sejam pelo pleno atendimento daqueles que esse encontram excluídos do acesso ao PJE, considerando-as discriminatórias e contrárias ao pensamento da advocacia brasileira, que luta e defende a igualdade e inclusão social, sem qualquer forma de distinção e discriminação. 
 
4. A ABRAT recomenda e requer, veementemente, ao CNJ, que suspenda de imediato a implantação do PJE em todo o país, até que as questões principais, relativas a acessibilidade e publicidade, sejam corrigidas, com a participação da advocacia brasileira, por seu Conselho Federal.
 
5. Por fim, a ABRAT conclama que todas as Associações Regionais filiadas, e todos os advogados trabalhistas brasileiros, divulguem, a toda a sociedade brasileira, os motivos de seu posicionamento, não contrário ao sistema de processo eletrônico, mas contrário a exclusão e a obstaculização do acesso a justiça e a publicidade de seus atos a toda a sociedade, criada pela imposição obrigatória de um sistema que não atende e não respeita princípios constitucionalmente  assegurados, como os da igualdade, do livre exercício profissional e do amplo acesso a justiça.
 
5.1. Assim defende a ABRAT uma vez que o direito de peticionamento “em defesa de direitos ou contra ilegalidade ou abuso de poder” (alínea “a”, do inciso XXXIV, do art. 5º, da CF) é declinado na Constituição Federal como direito e garantia fundamental, não trazendo a norma constitucional qualquer distinção quanto ao tipo, modelo ou forma de tal peticionamento, que deve ser assegurando na forma mais ampla possível, para que se dê efetividade àquele direito.
 
5.2. Ademais, nenhum órgão público, seja do Judiciário, do Executivo ou do Legislativo, tem legítima autoridade para dispor que não acolherá, não aceitará, não receberá, não admitirá a legítima manifestação de algum cidadão por não estar aquela na forma que, por sua conveniência, resolveu ditar. O dever constitucional do serviço público é o de receber a manifestação de todo e qualquer cidadão, de qualquer forma e maneira, e, posteriormente, adotar o procedimento interno que entenda, mas sem o direito antidemocrático de “bater a porta” no rosto do povo brasileiro.
 
Foz do Iguaçu, 09 de novembro de 2013.
 
Assinam:
 
ABRAT – Associação Brasileira de Advogados Trabalhistas
 
Associações Estaduais de Advogados Trabalhistas dos Estados de: Paraná, Minas Gerais, Rio de Janeiro (ACAT e AFAT), Distrito Federal, Espírito Santo, Tocantins, Mato Grosso, Pernambuco, Rio Grande do Sul (AGETRA e SATERGS), Alagoas, São Paulo e Goiás.
 

JUSTIÇA DOS EUA decide que espionagem praticada é ilegal.

Espionagem dos EUA é ilegal, decide Justiça
Para juiz federal, coleta de dados telefônicos feita pela NSA fere a Constituição; governo pode recorrer da sentença
Decisão vale só para os membros da ONG que moveu a ação, mas pode gerar jurisprudência e se estender a todo o país
RAUL JUSTE LORES DE WASHINGTON
Um juiz federal de Washington decidiu ontem que a coleta de dados telefônicos feita pela NSA (Agência de Segurança Nacional norte-americana) é inconstitucional.
Para o juiz Richard J. Leon, do Distrito de Columbia, a Quarta Emenda à Constituição dos EUA, que protege a privacidade, foi violada.
Na sentença, de 68 páginas, Leon determina o fim da coleta de dados de e-mails e telefonemas dos membros da ONG que moveu a ação, a organização conservadora Freedom Watch. Se confirmada, a decisão pode gerar jurisprudência e ser aplicada aos demais cidadãos americanos --não há menção a estrangeiros na ação da ONG.
A decisão é preliminar, sem efeito imediato. Por reconhecer "interesses nacionais significativos" no caso, o juiz escreveu que espera o recurso do governo, que justifica a espionagem com base na segurança nacional. A resposta pode levar até seis meses.
"Não consigo imaginar invasão mais arbitrária e indiscriminada de privacidade que essa sistemática coleta e retenção (....) de dados de virtualmente cada cidadão, com os propósitos de questionar e analisar sem aprovação judicial", escreveu Leon, que foi indicado ao cargo pelo ex-presidente George W. Bush.
A decisão é a primeira derrota legal do programa de vigilância da agência desde que, em junho passado, o ex-técnico da NSA Edward Snowden revelou a dimensão da espionagem americana.
Leon também escreveu que tem "dúvidas significativas" sobre a eficácia do programa. "O governo não cita uma única instância em que a análise de dados da NSA de fato parou um ataque iminente ou ajudou o governo a alcançar algum objetivo premente."
O programa passou várias vezes por juízes da Corte de Vigilância de Inteligência Estrangeira, criticada por aprovar todos os pedidos da NSA.
O Departamento de Justiça americano alega que a coleta de informação --com números dos telefones envolvidos e horário e duração das ligações-- não era invasão de privacidade, pois os dados já estavam à disposição das empresas telefônicas por razões de cobrança dos serviços.
No domingo, a NSA deu "acesso inédito" às câmeras do "60 Minutos", o programa jornalístico de maior audiência no país, da rede ABC. O general Keith Alexander, diretor da NSA, respondeu a várias perguntas, sempre falando da segurança nacional.
Entre os "constrangimentos" causados por Snowden, a reportagem destacou a espionagem do celular da chanceler alemã, Angela Merkel. A presidente Dilma Rousseff não foi citada no programa.
Na reportagem, um alto funcionário da NSA dizia, em opinião pessoal, que Snowden deveria ser anistiado se devolvesse os documentos que furtou. A Casa Branca negou que pense em anistia.
 
Leia mais.
 
Por asilo, Snowden promete ajudar Brasil
Em carta obtida pela Folha, delator da espionagem dos EUA diz querer auxiliar a apuração de vigilância no país
No documento, ele não se dirige diretamente a Dilma sobre asilo, para evitar mal-estar com a Rússia, onde está hoje
FÁBIO ZANINI EDITOR DE "MUNDO"
O delator do esquema de espionagem do governo americano, Edward Snowden, promete colaborar com a investigação sobre as ações da NSA (Agência de Segurança Nacional) no Brasil. Para que possa fazer isso, em troca, quer asilo político do governo Dilma Rousseff.
A promessa de ajuda está em uma "carta aberta ao povo do Brasil", obtida pela Folha, que será enviada a autoridades e fará parte de uma campanha on-line, hospedada no site da ONG Avaaz, especializada em petições.
A ideia é sensibilizar Dilma a conceder abrigo a Snowden, ex-agente de inteligência do governo americano.
"Muitos senadores brasileiros pediram minha ajuda com suas investigações sobre suspeita de crimes contra cidadãos brasileiros. Expressei minha disposição de auxiliar, quando isso for apropriado e legal, mas infelizmente o governo dos EUA vem trabalhando muito arduamente para limitar minha capacidade de fazê-lo", declara na carta, originalmente em inglês.
Snowden se refere à CPI aberta no Senado para investigar as atividades da NSA no Brasil, que incluíram monitoramento de comunicações de Dilma e da Petrobras.
Segundo ele, não é possível colaborar diante da precária situação jurídica em que se encontra agora, com apenas asilo temporário, concedido pela Rússia até o meio de 2014.
"Até que um país conceda asilo permanente, o governo dos EUA vai continuar a interferir em minha capacidade de falar", afirma Snowden, na carta.
O ex-prestador de serviços para a NSA, que está na Rússia desde junho, reclama de lá ter seus movimentos muito limitados, sem condições de fazer um verdadeiro debate sobre o escândalo, de acordo com Glenn Greenwald, o jornalista para quem ele vazou os dados.
No Brasil, com status de asilado permanente, teria mais liberdade para isso.
Snowden toma cuidado, na carta, de não se dirigir diretamente a Dilma. A razão é não melindrar o governo russo, que o hospeda. Mas, ainda de acordo com Greenwald, ele quer vir para o Brasil.
Em junho, Snowden revelou ao jornalista, à época trabalhando para o diário inglês "Guardian", documentos que mostram a capacidade do governo americano de espionar cidadãos e empresas em vários países.
"Hoje, se você carrega um celular em São Paulo, a NSA pode rastrear onde você se encontra, e o faz. [...] Quando uma pessoa em Florianópolis visita um site na internet, a NSA mantém um registro de quando isso aconteceu e do que você fez naquele site. Se uma mãe em Porto Alegre telefona a seu filho para lhe desejar sorte no vestibular, a NSA pode guardar o registro da ligação por cinco anos ou mais tempo", afirma, na carta.
Segundo Snowden, a vigilância sem critério "ameaça tornar-se o maior desafio aos direitos humanos de nossos tempos".
"A NSA e outras agências de espionagem aliadas nos dizem que, pelo bem da nossa própria segurança' --em nome da segurança' de Dilma, em nome da segurança' da Petrobras--, revogaram nosso direito à privacidade e invadiram nossas vidas. E o fizeram sem pedir a permissão da população de qualquer país, nem mesmo do deles", afirma, em outro trecho.
APÁTRIDA
Greenwald, que vive no Rio, e seu namorado, o brasileiro David Miranda, pretendem liderar uma campanha para que Dilma lhe conceda o asilo.
Após chegar à Rússia, Snowden enviou pedido a vários países, Brasil inclusive. Mas não obteve resposta.
Quem respondeu favoravelmente foram Bolívia, Venezuela e Nicarágua, mas Snowden prefere o Brasil.
"O Brasil é o lugar ideal por ser um país forte politicamente, onde as revelações tiveram um impacto real", afirma Miranda. O argumento jurídico para convencer as autoridades brasileiras é o de que os direitos humanos de Snowden estão ameaçados.
"Se o governo brasileiro agradece a ele pelas revelações, é lógico protegê-lo", declara Greenwald.
O Brasil, lembra Snowden na carta, foi coautor, ao lado da Alemanha, do texto da resolução aprovada por uma comissão da Assembleia Geral da ONU, em que se associava o impacto da espionagem a violações aos direitos humanos.
"Nossos direitos não podem ser limitados por uma organização secreta, e autoridades americanas nunca deveriam decidir sobre as liberdades de cidadãos brasileiros", afirma ele.
Snowden recorda que a decisão de revelar ao mundo o esquema de espionagem custou sua família, sua casa e pôs sua vida em risco.
"O preço do meu discurso foi meu passaporte, mas eu o pagaria novamente. Prefiro virar apátrida a perder minha voz", declara.

LUIS FELIPE SALOMÃO DO STJ: Assim caminha o Judiciário

TENDÊNCIAS/DEBATES
Assim caminha o Judiciário
A participação dos juízes de primeira instância na elaboração do orçamento conferirá ao Poder Judiciário maior eficiência e equilíbrio
Recebi com grande satisfação a notícia da escolha do juiz gaúcho João Ricardo dos Santos para a presidência da Associação dos Magistrados Brasileiros, em votação direta de quase 10 mil juízes associados, encabeçando a chapa da oposição ao lado de valorosos magistrados da nova geração.
Além da grande festa democrática, sua eleição me fez recobrar a fé na força do movimento associativo, afastando de vez a névoa do imobilismo e corporativismo que rondavam a magistratura.
De fato, porque é vedado aos juízes a criação de sindicatos, as associações de magistrados têm papel relevante. Preocupam-se com o funcionamento do Poder Judiciário e a democratização do acesso à Justiça, lutam contra a desigualdade social, na exata medida em que o processo judicial pode ser utilizado como instrumento para minimizá-la.
Ao buscarem melhores condições de trabalho para os juízes, as associações reforçam a possibilidade de prestar jurisdição com eficiência. Postulando um Judiciário independente, permitem maior efetividade aos direitos e garantias constitucionais dos cidadãos.
A independência dos juízes é vital para a sociedade brasileira moderna, que reinicia a caminhada democrática, reconstruindo suas instituições dilaceradas pelo arbítrio. A população deve contar com magistrados independentes, para arrostar a eventual pressão da máquina estatal ou o poderio dos grupos econômicos.
No Brasil, desde a primeira Constituição republicana de 1891, os juízes gozam das principais garantias, como a vitaliciedade e irredutibilidade de vencimentos, o que coloca o Poder Judiciário brasileiro em num estágio avançado em relação aos vizinhos latino-americanos. Além, evidentemente, de o recrutamento para a carreira ocorrer, em regra, pelo concurso público, e o nosso modelo de corte suprema ser baseado no norte-americano.
Contudo, temos muito ainda a caminhar. Uma das questões atuais mais relevantes é que os juízes de primeiro grau, ao lado de outros atores, querem participar da elaboração da proposta orçamentária do Poder Judiciário.
Vale lembrar a sempre atual advertência de Calamandrei: "Não é honesto refugiar-se atrás da cômoda frase feita de quem diz que a magistratura é superior a toda crítica e a toda suspeita: como se os magistrados fossem criaturas sobre-humanas, não tocados pela miséria dessa terra, e por isso intangíveis. Quem se satisfaz com estas vãs adulações ofende a seriedade da magistratura: a qual não se honra adulando-a, mas ajudando-a, sinceramente, a estar à altura de sua missão".
Um dos pontos centrais para melhorar o funcionamento da máquina relacionada ao Poder Judiciário é resgatar a estrutura adequada na primeira instância. É a porta de entrada das mais de 28 milhões de novas ações anuais que entopem a máquina, tomando como base o número de 2012, e justamente são essas as unidades que menos recursos financeiros recebem.
A participação ordenada, transparente e qualificada de todos os magistrados na elaboração da proposta orçamentária por certo lhe conferirá maior teor de aptidão para responder aos reptos do novo século, em matéria de eficiência no desempenho da jurisdição, afastando a concentração de poderes e superando a compartimentação que caracterizam a cultura administrativa da elaboração orçamentária.
Uma vez implantada essa medida salutar --o que poderá ocorrer pela via do Conselho Nacional de Justiça--, será mais um encargo, entre tantos outros que integram o cotidiano do juiz. Afinal, essa é a responsabilidade do Poder Judiciário, a que decerto corresponderão a vocação e o compromisso a que a toga conclama.
LUIS FELIPE SALOMÃO, 50, é ministro do Superior Tribunal de Justiça