quinta-feira, 28 de novembro de 2013

DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO E O DIREITO À AMPLA DEFESA: Réus do mensalão podem recorrer à comissão Intermericana

AP 470

Réus do mensalão podem recorrer à Comissão Interamericana

Quando o tribunal mais alto de um país atua como única instância, a ausência do direito de revisão por um tribunal superior não fica compensada pelo fato de que o julgamento foi proferido pelo tribunal de maior hierarquia do Estado. Pelo contrário. Isso significa que o Estado descumpre os direitos humanos e viola frontalmente o sistema de proteção das pessoas de San José da Costa Rica da OEA (Organização dos Estados Americanos).
Por esta razão, a defesa dos réus no processo conhecido como “mensalão” pode ainda não ter terminado e a sociedade precisa reconhecer e aceitar que aqueles réus já condenados, como qualquer indivíduo (nacional ou estrangeiro), têm o direito de ter seu caso examinado por todas as instâncias de defesa, no Brasil e fora dele.
De início, é importante observar que a prevalência e a aplicação imediata das normas de direitos fundamentais (humanos), no regime constitucional brasileiro pós-1988, foram opções expressas do constituinte, consubstanciadas, em concreto, pelas regras dos parágrafos 1º e 2º do artigo 5º da Constituição Federal.
Razão pela qual os réus submetidos ao julgamento direto e exclusivo do STF na Ação Penal 470 podem recorrer à Comissão Interamericana, haja vista violações evidentes da Convenção Interamericana de Direitos Humanos (Pacto de San José).
O entendimento da Corte Interamericana da OEA sobre a obrigatoriedade da observância do direito de proteção judicial, especialmente no que diz respeito ao direito de recorrer da sentença — inclusive de tribunal superior, pode-se ver no julgamento do caso Barreto Leiva vs Venezuela, cuja sentença data de 17 de novembro de 2009. Este caso teve origem em uma demanda proposta pela Comissão Interamericana, apresentada em 31 de outubro de 2008, a que teve conhecimento por denúncia do próprio interessado, Sr. Oscar Enrique Barreto Leiva, condenado a um ano e oito meses de prisão por delito contra o patrimônio público, como conseqüência de sua gestão, no ano de 1989, como diretor geral da Secretaria da Presidência da República da Venezuela. Dentre as várias violações de direitos humanos registradas nesse julgamento, destacou a Comissão o fato de que a Corte Suprema de Justiça da Venezuela havia sido o único tribunal que conheceu e sentenciou em única instância o caso, o que caracterizaria violação do direito do acusado de recorrer da sentença condenatória.
O Estado venezuelano, em sua defesa perante a Comissão, alegou que a Comissão de Direitos humanos da ONU, no caso 64 de 1979 contra a Colômbia, estabeleceu que “a determinação do direito à  dupla jurisdição deve levar em conta os procedimentos estabelecidos nas leis e no direito interno”. Também referiu o caso “Duiliio Fanalio, da Comissão Européia de Direitos Humanos, ao reconhecer que o Tribunal Constitucional italiano era a única instância na medida em que se tratava de acusação contra ministro.
Contudo, a Corte Interamericana da OEA não aceitou nenhuma das linhas de defesa da Venezuela no caso Barreto Leiva. Sustentou a Corte que sua jurisprudência tem sido enfática no sentido de que o direito de impugnar a sentença busca proteger o direito de defesa, na medida em que outorga a possibilidade de interposição de recurso para evitar que fique definitiva uma decisão adotada em um procedimento viciado e que contenha erros que possam ocasionar prejuízos indevidos aos interesses dos jurisdicionados.
O direito a revisão da sentença condenatória confirma, como se vê, o direito de todos de recorrer da sentença e outorga credibilidade ao ato jurisdicional do Estado e, ao mesmo tempo, confere maior segurança e tutela dos direitos do condenado.
Do que se conclui que o entendimento da Corte Interamericana (e da Comissão) de Direitos Humanos da OEA, o qual deve também ser o nosso no Brasil, é no sentido de que quando o tribunal mais alto de um país atua como primeira e única instância, não fica compensado o direito do condenado de ter sido julgado pelo tribunal de maior hierarquia do Estado-parte, pelo contrário, tal sistema é incompatível com o Pacto de San José.
Ao não reconhecer e contemplar internamente o direito de recorrer da sentença nos casos de competência do STF, o Brasil viola, portanto, a Convenção Interamericana de Direitos Humanos. Ademais, o STF viola a Constituição Federal na medida em que (i)as normas definidoras dos direitos e garantias fundamentais têm aplicação imediata (art.5º.parágrafo 1º), e (ii) os tratados e convenções internacionais sobre direitos humanos que forem aprovados  serão equivalentes às emendas constitucionais (artigo 5º, parágrafo 3º). Do que se conclui que o Pacto de San José convive com as disposições de direito interno brasileiro, mas está acima das leis internas e tem efeito imediato — uma vez ratificado pelo Brasil. 
A vontade implícita do legislador com a Emenda Constitucional 45/2004 é mais ampla do que aquela que restou explícita no texto. Examinados conjuntamente os parágrafos 2º e 3º do artigo 5º da Constituição Federal, conclui-se que todos os tratados e convenções que consagram direitos humanos fazem parte da ordem jurídica brasileira: (i) os (ainda) não aprovados pelo Congresso Nacional por força do parágrafo 2º (que não existia nas Constituições anteriores e por isso tem razão de ali estar hoje); (ii) e aqueles já aprovados pelo Congresso Nacional por força do parágrafo 3º.
Maristela Basso é professora de Direito Internacional da USP, doutora em Direito Internacional e Livre-Docente em Direito Internacional pela Universidade de São Paulo, integra a lista de árbitros Brasileiros do Sistema de Solução de Controvérsias do Mercosul e a lista de painelistas especialistas em propriedade intelectual do Sistema de Solução de Controvérsias da Organização Mundial do Comércio OMC.
Revista Consultor Jurídico, 27 de novembro de 2013
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AP 470

Corte Interamericana pode, sim, exigir novo julgamento

No último dia 11, a Folha de S. Paulo publicou reportagem intitulada “Corte Interamericana de Direitos Humanos não é tribunal penal de revisão, diz presidente”, segundo a qual Diego Garcia-Sayán, seu presidente, teria afirmado que a “corte não pode modificar uma sentença. Se houve pena de prisão, ela não pode aumentá-la ou reduzi-la”.
De fato, está correto o presidente da Corte Interamericana quando destaca que o tribunal não revisa “penas”, ou seja, não se manifesta sobre temas que envolvem um processo “penal” concluído em um dos Estados-partes. Assim, a Corte não diminui ou majora uma pena criminal imposta pelo Poder Judiciário de um Estado-parte na Convenção Americana de Direitos Humanos, e tal é assim pelo simples motivo de que não se trata de um Tribunal Penal Internacional. Aliás, tribunal dessa categoria (penal) só tem um em todo o mundo: trata-se do Tribunal Penal Internacional, que tem sede na Haia (Holanda) e cuja competência para julgamento diz respeito a crimes que envolvem a humanidade como um todo, a exemplo do genocídio, dos crimes contra a humanidade, dos crimes de guerra etc.
Contudo, o que pretendem os condenados na Ação Penal 470 – e isso a reportagem não deixou claro – é outra coisa bem diferente, nada tendo que ver com a revisão das “penas” impostas. O que pretendem é que lhes seja oportunizado novo julgamento em razão de ter o STF afrontado a regra do duplo grau de jurisdição, prevista no artigo 8º, inciso 2, letra h, da Convenção Americana sobre Direitos Humanos. De fato, ainda que o tribunal interamericano não revise “penas”, pode perfeitamente condenar o Estado brasileiro a dar a oportunidade de novo julgamento a todos os réus que não detinham foro por prerrogativa de função à época do julgamento.
A questão jurídica aberta, muito simplesmente, é a seguinte: o STF deveria ter desmembrado o processo do mensalão ao menos para os réus que não detinham, à época do julgamento, foro por prerrogativa de função; e assim não procedeu. Com isto, violou uma regra de direito internacional – a do “duplo grau de jurisdição” – prevista na Convenção Americana sobre Direitos Humanos de 1969, conhecida como Pacto de San José da Costa Rica, tratado internacional de direitos humanos que o Brasil ratificou (obrigou-se) em 1992.
Há, inclusive, um precedente já julgado pela Corte Interamericana sobre o assunto, e que se encaixa como uma luva à discussão. Trata-se do Caso Barreto Leiva Vs. Venezuela, julgado pela Corte em 17 de novembro de 2009, ocasião em que o tribunal da OEA entendeu que a Venezuela violou o direito ao duplo grau de jurisdição ao não oportunizar ao sr. Barreto Leiva o direito de apelar para um tribunal superior — a sua condenação também ocorreu em instância única (no caso do mensalão, este tribunal é o STF). Em outras palavras, a Corte Interamericana entendeu que o réu não dispôs, em consequência da conexão, da possibilidade de impugnar a sentença condenatória, o que viola frontalmente a garantia do duplo grau prevista (sem qualquer ressalva) na Convenção Americana sobre Direitos Humanos (artigo 8, 2, h).
Como se percebe, o precedente do Caso Barreto Leiva coincide perfeitamente com a situação dos réus condenados na AP 470, uma vez que foram impedidos de recorrer da sentença condenatória para outro tribunal interno, em desrespeito à regra internacional do duplo grau que o Brasil aceitou e se comprometeu a cumprir. A Corte Interamericana terá que decidir se a aceitação dos embargos infringentes pelo STF supre a regra do duplo grau prevista na Convenção Americana.
Em suma, ainda que o tribunal da OEA não revise “penas”, não há qualquer óbice — e é para isso que ele existe! — para que condene o Estado brasileiro por violação da Convenção Americana, mandando eventualmente oportunizar àqueles condenados novo julgamento, em razão da não observância da garantia processual internacional do duplo grau de jurisdição. Isso é o que merecia ser esclarecido.
Valerio Mazzuoli é pós-doutor pela Universidade de Lisboa, doutor summa cum laude em direito internacional pela UFRGS e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT).
Revista Consultor Jurídico, 19 de novembro de 2013

Aumenta perseguição contra haitianos refugiados na fronteira com a República Dominicana

Aumenta perseguição contra haitianos refugiados na fronteira com a República Dominicana
      Foto: Haitianos buscam refúgio
 
Adital: www.adital.com.br
 
A situação humanitária dos haitianos que buscam refúgio na fronteira com a República Dominicana se agravou nos últimos dias. O Grupo de Apoio aos Repatriados e Refugiados (GARR) relata que, após a morte de dois dominicanos por assaltantes haitianos, a perseguição contra os refugiados piorou. Só nos dias 23 e 24 de novembro últimos, 347 cidadãos e cidadãs do Haiti foram repatriados da fronteira entre Jimani e Malpasse, entre elas 107 crianças, uma com apenas três anos de idade.
 
 
De acordo com o GARR, essas pessoas tiveram que procurar a polícia para fugir da fúria dos dominicanos, que querem vingança pela morte de seus compatriotas, e foram mandadas de volta para seu país. Relatos não confirmados informam que estariam ocorrendo linchamentos de haitianos. O GARR soube da morte de quatro pessoas de Grand-Bois/Cornillon e Nonnonm Sepay.
 
 
Quatro haitianos repatriados relataram ao GARR que foram obrigados a cavar um grande buraco no cemitério, onde cadáveres de haitianos mortos foram enterrados. Muitos haitianos têm se protegido dentro de suas casas ou com amigos dominicanos para fugir dos ataques. Outros já teriam atravessado pontos diversos da fronteira entre os dois países, nas montanhas, no intuito de voltar para casa. O GARR, facilitador na área de Grand Bois Cornillon, e membros das três comissões de direitos humanos na área de fronteira, afirmam terem visto a chegada de mais de uma centena de pessoas que fugiram de suas casas.
 
Em comunicado, o GARR lamenta esses incidentes, que causaram a morte de pelo menos seis pessoas (quatro haitianos e dois dominicanos). Além disso, denuncia o comportamento das autoridades policiais e militares dominicanas, que realizaram a deportação de dezenas de pessoas indefesas, que tinham ido procurar proteção, sem qualquer consulta às autoridades haitianas para acomodá-los. "É inconcebível que as crianças em idades muito jovens, mulheres prestes a dar à luz e amamentando, sejam jogadas nessas condições na fronteira”.
 
 
A entidade assinala ainda que esse novo incidente ocorre num ambiente difícil, onde os direitos dos imigrantes haitianos e seus descendentes foram severamente enfraquecidos depois que as autoridades dominicanas (todos os poderes combinados) aderiram à decisão do Tribunal Constitucional, que exige a desnacionalização das crianças nascidas de pais estrangeiros, a maioria de pais haitianos, na República Dominicana. Alguns dominicanos e haitianos hostis interpretam essa decisão como uma forma de humilhar e forçar todos os cidadãos haitianos a deixarem a República Dominicana.
 
O GARR insta as autoridades haitianas a pedir às autoridades dominicanas que conduzam uma investigação do assassinato de dois dominicanos e de haitianos em linchamentos.
 

COALIZÃO DO LOBBY E OS INTERESSES CONTRARIADOS: Privacidade na internet.

Privacidade na internet
Os brasileiros formam um dos maiores mercados mundiais de internet. Estimativas recentes avaliam o total de internautas brasileiros em mais de 100 milhões.
Não surpreende, portanto, que uma coalizão de grupos empresariais de internet, hardware, software e telecomunicações, entre as quais Facebook, Google, Microsoft e eBay, esteja fazendo lobby contra as propostas da presidente Dilma Rousseff quanto à segurança na internet.
Os oponentes alegam que o Brasil corre o risco de se excluir da internet. A proposta de Dilma envolve usar um cabo submarino que não passa pelos EUA, criar um serviço criptografado de e-mail, exigir que Google e Facebook armazenem dados sobre brasileiros em servidores instalados no Brasil, e que haja pontos de intercâmbio de tráfego de internet instalados no Brasil.
As medidas propostas são consequência das revelações de Edward Snowden, que denunciou práticas irregulares da Agência Nacional de Segurança dos EUA, a qual espionou e-mails e telefonemas da presidente do Brasil.
Na realidade, Dilma não é a única vítima de espionagem americana. As revelações de Snowden mostram que ela foi apenas um dos 35 líderes internacionais, entre os quais Angela Merkel, cujos celulares foram alvo de escuta dos espiões norte-americanos.
Na ONU, esta semana, uma proposta de Brasil e Alemanha quanto à privacidade na internet e em outros meios de comunicação foi adotada pelo Terceiro Comitê da Assembleia Geral, que trata de questões sociais, humanitárias e culturais. A proposta será votada em dezembro pela Assembleia Geral e insta os países a tornar internacional o direito à privacidade, o que abarcaria a "vigilância extraterritorial de comunicações". Os EUA vêm fazendo lobby contra a proposta.
A Comissão Europeia também está agindo para reforçar as normas de privacidade e oferecer resposta à bisbilhotice americana por meio do estabelecimento de "portos seguros" para dados, que evitariam a jurisdição dos tribunais secretos dos EUA, que forçaram companhias de internet sediadas em seu país a entregar dados sobre pessoas que não são cidadãs norte-americanas.
Thomas Traumann, porta-voz de Dilma, declarou que "não estamos regulamentando o fluxo de informações, mas apenas requerendo que dados sobre brasileiros sejam armazenados no Brasil, para que fiquem sob a jurisdição de tribunais brasileiros. Isso nada tem a ver com as comunicações mundiais".
Em abril de 2014, o Rio de Janeiro receberá uma reunião da Icann, a organização neutra que administra o sistema de nomes de domínio da internet. Está claro que essa questão não será solucionada em breve.
KENNETH MAXWELL escreve às quintas-feiras nesta coluna.
Tradução de PAULO MIGLIACCI

Trágico Acidente de Trabalho na "Arena Corinthians"

Não é por falta de legislação protetora e que dê a prevalência à incolumidade física e mental do trabalhador, obrigando o empregador a investir em prevenção, eliminando os riscos do seu meio ambiente laboral. Mas o que prevalece é o mero interesse aos objetivos perseguidos pelo capital, a maior produtividade e lucratividade. Enquanto não conseguirmos, na unidade, na solidariedade, fazer cumprir os direitos e princípios fundantes da Carta Social vigente, enquanto a fiscalização prévia inexistir, enquanto se continuar aplicando o "ato inseguro", transferindo os riscos ao trabalhador infortunado, enquanto as indenizações de reparação continuarem sendo pífias, não consiguiremos mudança cultural, que torne esse mundo menos desigual e insano.
O Ministério Público do Trabalho tem tido um papel exemplar para mudança cultural com suas eficientíssimas ações civis públicas e seus pedidos de indenização de danos coletivos e em benício da própria sociedade, em especial quando tais valores são dirigidos a entidades que efetivamente retornem em benefícios diretos à população que sofre com a má política de distribuição de rendas no país. Mas acredito no poder da união dos homens de boa índole e de fé, para que juntos contribuamos para a eliminação dos vícios, abusos e discriminações praticadas pelos poderosos que tanto mancham a imagem de nosso país, como campeão mundial em acidentes do trabalho e em adoecimentos ocupacionais.

Luiz Salvador, atual Vice-Presidente da ALAL, Associação Latino Americana de Advogados Laboralistas.

PREOCUPANTE & CÂMARA DOS DEPUTADOS: Processo produtivo cria exército de inválidos diz Procurador Luiz Camargo.

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Foto: procurador-geral do Trabalho, Luís Camargo

Processo produtivo cria exército de inválidos, diz Camargo

Declaração foi dada no lançamento da Frente Parlamentar de Segurança e Saúde do Trabalho

Brasília – O procurador-geral do Trabalho, Luís Camargo, afirmou, nesta quarta-feira (27), que o Brasil está criando um exército de inválidos, vítimas do processo produtivo. A declaração foi dada no lançamento da Frente Parlamentar de Segurança e Saúde do Trabalho, na Câmara dos Deputados. Camargo elogiou a iniciativa do Congresso e destacou que o Ministério Público do Trabalho (MPT) se apresenta como parceiro da frente parlamentar.
“Nós estamos criando um verdadeiro exército de pessoas que jamais voltarão aos seus postos de trabalho, que são mutilados, doentes, viúvos e viúvas, por conta do processo de produção em vigor neste país. Se não tivermos uma forma efetiva de mudar esse processo, nós teremos um exército de inválidos”, afirmou Camargo.
O país tem mais de 700 mil acidentes de trabalho por ano, com três mil mortes. Os setores com maiores índices são construção civil e transporte. Nesta quarta-feira, dois operários morreram num acidente com um guindaste na obra da arena Corinthians, estádio que sediará a abertura da Copa do Mundo de 2014. O Ministério Público do Trabalho irá inspecionar a obra nesta quinta-feira (28) (veja matéria no site).
Também participaram do lançamento da frente parlamentar os procuradores Philippe Gomes Jardim, coordenador nacional de Defesa do Meio Ambiente do Trabalho (Codemat); Paulo Douglas Almeida de Moraes; Valdir Pereira da Silva; e Carlos Eduardo de Azevedo Lima, presidente da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT).
Presidida pelo deputado federal Vicentinho (PT/SP), a Frente Parlamentar de Segurança e Saúde do Trabalho é composta ainda por 240 outros deputados.
Informações:
Procuradoria Geral do Trabalho
Assessoria de Comunicação
(61) 3314-8222

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

MINERADORA CANADENSE & ENVENENAMENTO NO CORAÇÃO DA AMAZÔNIA: Uma cicatriz venenosa na Amazônia.

Uma cicatriz venenosa na Amazônia

 

À Presidente Dilma Rousseff e o Presidente do IBAMA, Volney Zanardi Jr.:

A qualquer momento, o Governador do Estado do Pará poderá conceder uma autorização permitindo que a mineradora canadense, Belo Sun Mining Corporation, construa maior mina de ouro do Brasil, no coração da Amazônia. Dado as inúmeras irregularidades que assolam o processo de impacto ambiental, pedimos que os senhores sigam o exemplo do Ministério Público Federal, e suspenda imediatamente o licenciamento até que uma nova revisão seja feita. Essa mina pode causar danos ambientais irreversíveis, e poderia ser devastador para as comunidades indígenas que vivem nas proximidades.

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Em pouco dias, uma mega mineradora canadense poderá ser concedida a permissão para construir uma enorme mina de ouro a céu aberto e começar a injetar toneladas de produtos químicos venenosos no coração da Amazônia, devastando a vida das comunidades indígenas locais. Mas um grande interesse público pode pressionar o IBAMA e a presidente Dilma a acabar com este colonialismo vestido de ouro do século 21 de acabar com nossa Amazônia.

Para extrair os metais preciosos, a água doce e os peixes endêmicos do rio Xingu serão em breve substituídos por córregos tóxicos de cianeto, arsênico, e montanhas de resíduos químicos. Autoridades no Pará estão pressionando pela aprovação do projeto baseadas em estudos cheios de irregularidades. Mas esta mega mina é tão arriscada que até mesmo o Ministério Público Federal está exigindo que as autoridades locais neguem a concessão desta licença até que uma melhor avaliação do seu impacto sobre as terras dos povos indígenas próximas, os Arara e Juruna, seja feita.

Este debate fundamental está acontecendo agora, grande parte fora do radar da imprensa e da opinião pública. Se milhares de nós pedirmos ao presidente do IBAMA, Volney Zanardiy, para intervir e acabar com essa injeção letal para a Amazônia, ainda teremos uma chance de impedir sua destruição. Assine e espalhe a campanha agora.
 
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Em pouco dias, uma mega mineradora canadense poderá obter a permissão para construir uma enorme mina de ouro a céu aberto e começar a injetar toneladas de produtos químicos venenosos no coração da Amazônia, devastando a vida das comunidades indígenas locais. Mas se houver grande interesse público, o IBAMA e a presidente Dilma podem ser pressionados a acabar com este colonialismo do século XXI, vestido de ouro, que quer acabar com nossa Amazônia.

Para extrair os metais preciosos, a água doce e os peixes endêmicos do rio Xingu serão em breve substituídos por córregos tóxicos de cianeto, arsênico, e montanhas de resíduos químicos. Autoridades no Pará estão pressionando pela aprov ação do projeto baseadas em estudos cheios de irregularidades. Mas esta megamina é tão arriscada que o próprio Ministério Público Federal está exigindo que as autoridades neguem a concessão da licença até que seja feita uma melhor avaliação do impacto sobre as terras próximas ao empreendimento, dos povos indígenas Arara e Juruna.

Este debate crucial está acontecendo agora, em grande parte fora do radar da imprensa e da opinião pública. Se milhares de nós pedirmos ao presidente do IBAMA, Volney Zanardiy, para intervir e acabar com essa injeção letal na Amazônia, ainda teremos uma chance de impedir sua destruição. Assine e espalhe a campanha imediatamente


http://www.avaaz.org/po/a_lethal_injection_in_the_amazon_c2/?bHKVOdb&v=31163 

Planejada para ser construída a apenas alguns quilômetros de Belo Monte, a Belo Sun Mining Corporation, empresa baseada em Toronto, afirma que sua nova mina vai ajudar as comunidades indígenas locais, impulsionando a economia local, e ajudando a financiar novas escolas e hospitais. Mas o relatório de impacto inicial da mina, apresentado pelo governo do Estado, estava repleto de irregularidades, e foi produzido sem qualquer consulta com os povos Arara e Juruna que vivem nas proximidades – uma violação direta da Constituição brasileira.

A hidrelétrica de Belo Monte já está causando grandes transtornos na região – grupos indígenas ocuparam várias vezes o canteiro de obras, e dezenas de processos questionam sua legalidade. Esta nova mina de ouro, obviamente, irá criar alguns postos de trabalho, mas o custo é muito alto, prejudicando ainda mais o delicado ecossistema da região, e canalizando a maioria das centenas de milhões e m lucros para os bolsos de um consórcio canadense. Numa época pré-campanha eleitoral, com Dilma provavelmente enfrentando a oposição de candidatos verdes, como Marina Silva, essa mina poderia ser uma pedra no sapato – uma pedra da qual ela preferiria se livrar.

O processo de concessão está acontecendo silenciosamente, e ainda não se tornou uma prioridade política. Nós podemos mudar isso com um enorme apelo para impedir esta devastadora conquista do ouro no coração da Amazônia. Assine agora: 


http://www.avaaz.org/po/a_lethal_injection_in_the_amazon_c2/?bHKVOdb&v=31163 

Com esperança e determinação,

Michael, Joseph, Diego, Nádia, Caroline, Luis, Ricken e toda equipe da Avaaz

Mais informações:

Organizações da sociedade civil se mobilizam contra licenciamento de mineradora no Xingu (Instituto Socioambiental)
http://www.socioambiental.org/pt-br/noticias-socioambientais/organizacoes-da-sociedade-civil-se-mobilizam-contra-licenciamento-de-mineradora-no-xingu

Para instituto, mineradora desconsidera população indígena do Xingu (Rede Brasil Atual)
http://www.redebrasilatual.com.br/ambiente/2013/10/exploracao-de-minerio-de-ouro-na-regiao-do-xingu-e-feita-de-forma-irregular-3312.htm l

Promotores brasileiros tentam impedir mina de ouro canadense na Amazônia (Reuters) (em inglês)
http://www.reuters.com/article/2013/09/11/brazil-gold-belosun-idUSL2N0H61UN20130911

Documentos revelam: espiões canadenses se reúnem empresas de energia, (The Guardian) (em inglês)
http://www.theguardian.com/environment/2013/oct/09/canadian-spies-met-energy-firms-documents

Desmatamento na Amazônia sobe 28% em 2013 (Folha de S.Paulo)

http://www1.folha.uol.com.br/ambiente/2013/11/1371434-desmatamento-na-amazonia-sobe-28-em-2013.shtml

ELEIÇÕES NOS EUA & DANÇA DAS CADEIRAS: Elizabeth Warren, Senadora de esquerda ganha força para 2016.

Elizabeth Warren, Senadora de esquerda ganha força para 2016
Apesar do favoritismo de Hillary, Elizabeth Warren conquista espaço para disputar Casa Branca pelos democratas
Popularidade da senadora, que defende a regulamentação financeira, pode refletir novo perfil democrata
RAUL JUSTE LORES DE WASHINGTON
Elizabeth Warren, 64, a senadora mais à esquerda dos Estados Unidos, considerada inimiga de Wall Street e defensora da classe média, tornou-se a maior novidade na disputa aberta que já cerca a sucessão do presidente Barack Obama, em 2016.
Hillary Clinton, 66, ex-primeira-dama e ex-secretária de Estado, ainda é considerada franca favorita dentro do partido do presidente: 70% dos democratas dizem querê-la como candidata, de acordo com pesquisa da CNN.
Mas ela também era favorita em 2008, quando foi derrotada por um senador ainda em primeiro mandato, que também vinha "de fora de Washington", com um discurso antiestablishment.
Será Warren o novo Obama? A capa da revista "New Republic", com centenas de pessoas portando máscaras de Warren, sob o título "O pesadelo de Hillary", trouxe à baila o que era apenas cochichado em círculos democratas.
A revista de esquerda "The Nation" afirmou que, "candidata ou não, Warren tem a mensagem certa para 2016".
Sua candidatura forçaria Hillary a explicar suas posições --é o que dizem até os que acreditam que Warren não conseguiria derrotar a máquina dos Clinton.
Analistas também fazem uma ligação entre a popularidade de Warren e a eleição do esquerdista Bill de Blasio, um ex-sandinista simpático ao movimento Occupy Wall Street, como novo prefeito de Nova York no início do mês.
MAIS À ESQUERDA
O Partido Democrata teria mudado bastante de 2008 para cá. Segundo uma pesquisa do instituto Pew, democratas estão cada vez mais preocupados com o crescimento da desigualdade e mais simpáticos à regulamentação financeira (da qual Warren é a mais famosa porta-voz).
Outra pesquisa, do instituto Gallup, diz que o número de democratas que desaprovam o "tamanho e a influência das grandes corporações" no país subiu de 51% para 79% entre 2001 e 2011.
A imagem negativa dos bancos, segundo a mesma pesquisa, cresceu de 23% para 47%, de 2007 a 2013, entre os democratas.
No Senado, em uma sabatina modorrenta e com perguntas fáceis para Janet Yellen, nomeada por Obama para ser a nova presidente do Fed (banco central americano), Warren destoou.
Disse que o Fed não tinha desempenhado seu papel para evitar a crise de 2008 e perguntou se, sob Yellen, "o primeiro escalão do banco cuidaria de regulamentação financeira do mesmo jeito que cuida da política monetária".
Apesar da fala mansa e pausada, sempre alguns tons abaixo da média inflamada dos políticos, os discursos de Warren no Senado são chamados pela mídia americana de "ferozes".
Ela reclamou no plenário de como o crédito universitário tinha juros mais altos que os empréstimos subsidiados pelo governo a empresas financeiras e de como os mais ricos pagam menos impostos que a classe média.
ÍCONE
Warren já tinha se transformado em ícone da esquerda americana ao atacar duramente os bancos no documentário "Capitalismo, uma História de Amor", de Michael Moore, e em sua curta passagem pelo governo Obama, quando ajudou a criar o Escritório de Proteção ao Consumidor Financeiro.
Diante da resistência da oposição e de Wall Street, Obama desistiu de nomeá-la para chefiar o organismo, o que ainda reforçou sua imagem de alternativa.
Seu único tropeço público conhecido foi revelado no ano passado, durante sua campanha ao Senado.
Ela se declarou "nativa americana" em Harvard, onde leciona, e seu adversário republicano disse que essa declaração de identidade buscava obter vantagens em ações afirmativas, algo que Warren sempre negou.
"Minha avó sempre disse que tínhamos sangue nativo", afirmou ela na TV. Os eleitores de Massachusetts a elegeram com 53,7% dos votos, ante 46,3% do republicano Scott Brown.
Com a popularidade de Obama no seu recorde negativo, depois do lançamento acidentado de seu plano de saúde universal --com o site onde os usuários poderiam adquirir seus planos funcionando de forma precária--, as campanhas para a sua sucessão já estão na rua (com vídeos pró e contra Hillary). Ainda que a eleição seja só em novembro de 2016.
Link: http://www1.folha.uol.com.br/fsp/mundo/140952-senadora-de-esquerda-ganha-forca-para-2016.shtml