quarta-feira, 9 de julho de 2014

PERSEGUIÇÃO & DISCRIMINAÇÃO: quando os militares anistiados morrem, os generais de plantão negam os benefícios.



                        Noticia
Jornal do Terra

Militares cassados pela ditadura divulgam carta a Dilma

Os militares cassados pela ditadura fizeram nesta segunda uma caminhada pela orla de Copacabana, na zona sul do Rio de Janeiro, aproveitando os festejos da Copa, para divulgar uma carta aberta à presidente Dilma Rousseff denunciando a perseguição que os atuais comandantes fazem contra os anistiados políticos e, também, o descumprimento da Lei  10.559/2002, conhecida como Lei de Anistia.
O coordenador do movimento, advogado José Bezerra, disse à Agência Brasil que “quando os militares anistiados morrem, os generais de plantão negam os benefícios às filhas, dizendo que eles não são mais militares. São anistiados políticos”.

A carta será encaminhada à presidenta da República após a Copa do Mundo. José Bezerra reiterou que os militares vítimas do  golpe militar de 1964 continuam sofrendo até os dias atuais. “O Estatuto dos Militares vem sendo desrespeitado em sua totalidade”. Citou o exemplo do major brigadeiro do Ar, Rui Barbosa Moreira Lima, cassado no dia 9 de abril de 1964, por ter sido considerado seguidor do deputado Leonel Brizola e do antropólogo Darcy Ribeiro. Moreira Lima era comandante da Base Aérea de Santa Cruz.
“Por essa razão, (esses militares) foram tratados como subversivos, perderam seus empregos e nada receberam. Alguns chegaram a ser anistiados no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2002. Porém, o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva cancelou suas anistias e suspendeu seus planos de saúde. Hoje, muitos deles, já idosos, morrem na miséria e no abandono, simplesmente por terem se negado a fazer parte do golpe militar e a trair a Constituição e o presidente eleito, João Goulart”, disse. Para ele, o recado foi dado.
publicidade
A caminhada reuniu militares cassados das três Forças Armadas (Marinha, Exército e Aeronáutica). José Bezerra representa as associações de militares anistiados da Aeronáutica nos estados do Rio de Janeiro, da Paraíba, do Ceará,  de Pernambuco e da Bahia. Ele também foi cassado pela ditadura quando servia na Base Aérea do Galeão. Na época, Bezerra era cabo da Aeronáutica.
Agência Brasil

SEXO, VALE-REFEIÇÃO & MOEDA DE TROCA: Obras de Belo Monte incentivaram indústria de sexo no Pará.

ESTÁ NO FACEBOOK
Link: https://www.facebook.com/luiz.salvador.526?ref=tn_tnmn

                       Noticia

Obras de Belo Monte incentivaram indústria de sexo no Pará, diz estudo

Pesquisa aponta que operários pagam prostitutas com vale-refeição.
Norte Energia diz que monitora dados e que casos diminuíram.

Dominik Giusti Do G1 PA
18 pessoas foram resgatadas pela polícia em dois dias de operação (Foto: Glaydson Castro / TV Liberal)Pesquisador da UFPA diz que obra da hidrelétrica gerou mercado de sexo em Altamira, que está relacionado com tráfico humano, violência sexual e exploração, como as jovens que foram libertadas em 2013 no município (Glaydson Castro / TV Liberal)
A construção da Usina Hidrelétrica Belo Monte, iniciada em 2011 em Vitória do Xingu, sudoeste do Pará, acabou gerando um "mercado do sexo" com estabelecimento de uma rede de exploração sexual na região. Especialmente no município de Altamira, cidade vizinha do empreendimento que tem recebido o maior contingente populacional desde o início da obra. A conclusão é do pesquisador Assis da Costa Oliveira, da Universidade Federal do Pará (UFPA). De acordo a pesquisa feita sob encomenda da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República em 2012, e complementada com dados coletados até 2014, os aliciadores que exploram mulheres, adolescentes, travestis e índios aceitam até vale-alimentação como forma de pagamento pelos serviços sexuais.
O coordenador do estudo diz que foram relatadas situações na qual o cartão do benefício foi entregue diretamente aos agenciadores da exploração sexual. “Como o valor é carregado mensalmente, é um pagamento continuado pelos serviços. Essa é uma situação específica dentro de uma dinâmica maior”, diz Oliveira.
1ª Turbina Belo Monte Casa de Força Usina Hidrelétrica Pará (Foto: Divulgação/Norte Energia)Usina Hidrelétrica começou a ser construída em 2011 no Pará. (Foto: Divulgação/Norte Energia)
A pesquisa mapeou 46 locais em que ocorre ou há suspeita de exploração sexual de crianças e adolescentes, mas também levou em consideração pessoas de outras faixas etárias em um segundo relatório - iniciado em 2013 e finalizado em abril deste ano. Os valores pagos variam de acordo com o local e com a classe social de quem procura este tipo de serviço. O professor explica que a procura por sexo pago acontece principalmente nos primeiros dias de cada mês, quando é feito o pagamento dos operários da usina.
“A relação que nossos informantes nos passam é que a maior demanda [pelos serviços sexuais] ocorre quando há pagamento. São homens solteiros, sem família no local. Eles vão até a cidade para fazer compras, para lazer, e também para acessar essa rede de exploração, que foi criada por conta da obra e segue a lógica de mercado. Isso envolve pessoas traficadas e esta situação está bem detalhada no relatório, a relação entre a obra e as demandas do mercado da exploração sexual”, diz o coordenador da pesquisa.
Exploração sexual
A pesquisa relata a manutenção de uma “onde de crescimento” de crimes sexuais ligados ao tráfico humano e prostituição em Altamira, entre os anos de 1957 a 2013, com picos entre 1992 e 1994; 2005 a 2007; e 2010 a 2013, de acordo com Oliveira. Embora não existam dados estatísticos que sustentem um aumento da exploração sexual, o pesquisador diz que grande parte dos entrevistados durante a elaboração da pesquisa disse perceber um aumento deste tipo de ocorrência.
“O caso mais emblemático é da boate Xingu, que funcionava perto do Sítio Canais e Diques", cita Oliveira, fazendo referência ao episódio registrado em fevereiro de 2013, quando uma adolescente de 16 anos conseguiu fugir de uma boate na região e denunciou que vivia sob cárcere privado, em uma boate de exploração sexual. Após operação policial, 18 pessoas que viviam em regime semelhante à escravidão foram libertas. Três suspeitos de envolvimento com os crimes de tráfico de pessoas e cárcere privado foram detidos.
Várias jovens dividiam o mesmo cômodo (Foto: Glaydson Castro / TV Liberal)Várias jovens encontradas em situação de
exploração sexual em 2013 dividiam o mesmo
cômodo, em condições degradantes
(Foto: Glaydson Castro / TV Liberal)
"Das pessoas libertas com a operação, nove assinaram um termo dizendo que assumiam que estavam em situação de risco, mas que preferiam voltar para a prostituição. Então, é necessário ainda que o estado forneça alternativas, crie políticas públicas para essas pessoas, para que elas não continuem nesse ciclo, além de cobrar ações mais efetivas da Norte Energia e do Consórcio Construtor Belo Monte, para coibir isso', adverte o pesquisador.
A exploração tem conexão com as barragens. As pessoas presas no Pará já tinham participação em outros locais semelhantes, não só na Amazônia. Eles aproveitam o 'boom' de migrações e criam essas casas de prostituição"
Assis da Costa Oliveira, pesquisador da UFPA
"A exploração tem conexão com as barragens. As pessoas presas no Pará já tinham participação em outros locais semelhantes, não só na Amazônia. Eles aproveitam o 'boom' de migrações e criam essas casas de prostituição”, explica.

O professor revela ainda que até índios estão sendo explorados sexualmente, fato considerado novo pelos pesquisadores. Para o professore coordenador da pesquisa, falta responsabilidade do estado e das grandes empresas para o enfrentamento do crime na região sudoeste do Pará. A pesquisa sugere o fortalecimento do setor de inteligência da polícia para a prevenção de novas situações, para "desmascarar" a dinâmica.

Sobre a pesquisa
O estudo “Enfrentamento da violência sexual contra crianças e adolescentes no município de Altamira” foi feito sob encomenda da Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República. A primeira pesquisa foi realizada entre fevereiro e agosto de 2012; outro estudo complementar foi feito de maio a outubro de 2013, com o relato de 17 pessoas, consideradas como informantes, entre comerciantes, taxistas, mototaxistas, agentes de saúde e moradores da cidade.
“Por conta de haver potencial de casos que não se tornaram públicos ou não foram denunciados, fizemos essa segunda pesquisa para entrar em contato com informantes que interagem com o mercado do sexo”, explica Assis da Costa Oliveira.
A pesquisa teve ainda como base um levantamento de processos judiciais de abuso ou exploração sexual no Fórum da cidade, além de estudos de caso da operação policial na boate Xingu, em 2013, dados estatísticos das Polícia Civil e Militar e do Conselho Tutelar. Os resultados e o relatório final foram concluídos em abril deste ano e divulgados este mês.
Jovens foram resgatadas em Altamira após denúncia do Conselho Tutelar (Foto: Mário de Paula / TV Liberal)Jovens foram resgatadas em Altamira após denúncia
do Conselho Tutelar em 2013
(Foto: Mário de Paula / TV Liberal)
Rede de proteção
A Norte Energia, empresa responsável por Belo Monte, informou que acompanha o fenômeno desde 2012, monitorando dados fornecidos por instituições como Ministério da Saúde, IBGE, Funai, Secretaria Estadual de Segurança Pública, Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente e dos centros de Referência de Assistência Social (CRAS) e Especializados de Assistência Social (CREAS) nos municípios da região do empreendimento.
Ainda de acordo com a empresa, dados do Conselho Tutelar mostram que o número de registros de casos de “prostituição, estupro e abuso sexual contra crianças e adolescentes” não aumentou nos dois últimos anos, ao contrário do que sugere a pesquisa da UFPA. Em 2012, foram registrados, em média, 15 casos por mês em Altamira. Em 2013, este número foi de 10, o que representa uma redução de 33%.
Segundo o pesquisador, existe um plano  de combate à exploração sexual feito por órgãos de segurança pública e o consório construtor Belo Monte. "Este é o primeiro pacto nacional feito com uma empresa para a criação de uma rede de proteção e enfrentamento da violência sexual", aponta Assis.

A COPA JÁ ACONTECEU & MAU AGOURO ERROU: Mundial criou 1 milhão de empregos no País.

ESTÁ NO FACEBOOK


                  Noticia
TRABALHO Notícia da edição impressa de 20/06/2014
Mundial criou 1 milhão de empregos no País
Em evento no Rio de Janeiro, especialistas garantem que ainda é cedo para calcular o legado econômico da Copa
A Copa do Mundo foi responsável pela geração de 1 milhão de empregos, dos quais 710 mil permanentes, segundo balanço preliminar do governo sobre os ganhos decorrentes da realização do Mundial de futebol no País. São mais de 15% dos 4,8 milhões de vagas criadas durante todo o governo de Dilma Rousseff, informou a Secretaria de Imprensa da Presidência da República, que utilizou no cálculo os dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE).

A estimativa foi apresentada nesta quinta-feira, pelo presidente da Embratur, Vicente Neto, durante o painel Impacto dos Grandes Eventos na Economia Brasileira, no qual, junto com especialistas, fez um balanço prévio dos benefícios gerados pela Copa. Outro ganho, apontou ele, é a previsão de que o evento movimentará R$ 6,7 bilhões.

Neste caso, não são considerados os investimentos em infraestrutura, que, pelo discurso do governo brasileiro, seriam realizados de qualquer forma, independentemente da indicação dos organizadores dos jogos.

Apesar da divulgação de números favoráveis à Copa, a opinião de especialistas presentes ao evento é de que ainda é cedo para calcular o legado econômico do Mundial. Pedro Trengrouse, da Fundação Getulio Vargas do Rio de Janeiro (FGV-Rio), compara os dados brasileiros aos da África do Sul, onde estudos apontam ganho de 1% do Produto Interno Bruto (PIB). Relativamente ao PIB brasileiro, 1% equivaleria a R$ 48,4 bilhões, muito acima dos R$ 6,7 bilhões, mas, em sua opinião, não é possível comparar resultados em países com características econômicas e culturais tão distintas, onde o futebol não mobiliza a população com a mesma intensidade. A sua expectativa é de que, no Brasil, os ganhos serão maiores do que os conseguidos na África do Sul, que sediou o último Mundial.

Já Lamartine da Costa, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), destacou que todo impacto na economia é progressivo e que, por isso, não é possível mensurá-lo no curto prazo. “Apenas agora estão sendo quantificados os ganhos (da Olimpíada) em Barcelona, de 1992”,
destacou.

Entretanto, no governo, a preocupação já é em prolongar os ganhos e multiplicá-los no turismo daqui para frente, diz o presidente da Embratur. Passado o evento, o governo iniciará um programa de incentivo a viagens domésticas e de atração de estrangeiros ao País. Ele ressaltou a entrada de divisas com o setor em 2013, de US$ 6,7 bilhões, de acordo com dados do Banco Central. A principal crítica dos especialistas presentes ao painel, entretanto, não focou no legado econômico do mundial de futebol, mas no modelo adotado pela Fifa e, principalmente, na relação da Federação com o governo. “O que resta é o impacto desse evento para as relações internacionais. O COI (Comitê Olímpico Internacional) já acordou para isso. A Fifa, não sei”, disse Costa.

Trengrouse acrescentou que a relação entre a organização do evento e o Estado deve ser alterada para que os governos consigam desenvolver suas agendas próprias e não as impostas pela Fifa. A opinião do especialista da FGV é de que o governo brasileiro deveria ter aproveitado a oportunidade para exigir a discussão de problemas crônicos do futebol brasileiro, para permitir que o esporte impulsionasse ainda mais a economia.

Ele reclamou, por exemplo, da falta de investimentos para que a população pudesse assistir aos jogos de uma forma diferente daquela como assistiu a outras Copas. “Por que não se investiu em uma experiência diferenciada para o povo brasileiro?”, questionou.

A Secretaria de Imprensa da Presidência respondeu que foi oferecido aos brasileiros um número de ingressos para assistir os jogos nos estádios maior do que o disponibilizado aos estrangeiros e também que não cabe ao governo propor alterações nas condições de trabalho da Fifa.

INTERESSES CONTRARIADOS & COMPROMISSOS DE CAMPANHA: Reeleito, Santos terá de costurar interesses.

ESTÁ NO FACEBOOK

Noticia
Reeleito, Santos terá de costurar interesses
Presidente colombiano precisou do apoio de muitos para ganhar e, agora, deve ter problemas para conciliá-los
Produtores agrícolas, por exemplo, estão em greve por tratados de livre-comércio que ele não planeja alterar
SYLVIA COLOMBO ENVIADA ESPECIAL A BOGOTÁ
Para chegar à reeleição na Colômbia, o presidente Juan Manuel Santos teve de colher apoios de distintas vertentes: partidos de esquerda e de direita, empresários, as guerrilhas Farc e ELN, militares, organizações de direitos humanos e associações de proteção a vítimas do conflito.
"Sei que muitos não votaram em mim pessoalmente", disse, no seu discurso de agradecimento.
Referia-se ao fato de que esses setores se mobilizaram pela continuação das negociações de paz e para impedir o retorno da influência do ex-presidente Álvaro Uribe --cujo candidato, Óscar Iván Zuluaga, foi o vencedor do primeiro turno.
Para analistas ouvidos pela Folha, o principal desafio do presidente, agora, será manter a base de apoio e atender promessas a atores políticos que têm interesses diversos e, em alguns casos, contraditórios. "Será completamente diferente da primeira gestão", diz o sociólogo Juan Gabriel Tokatlian.
No Congresso, o panorama já é bem diferente daquele de quando chegou ao poder, em 2010. Então, Santos contava com 70% do Senado. Hoje, das 102 cadeiras, sua aliança conta com 47 senadores. Com o agravante de que o partido criado por Uribe (Centro Democrático) estreia com 21, sendo um deles o próprio ex-presidente.
Santos tentou fazer um gesto de reaproximação com o antigo padrinho político, dizendo que gostaria de chamar Zuluaga para fazer parte do governo. Uribe, porém, tem dado entrevistas quase diárias dizendo que Santos teria manipulado a eleição, fazendo com que as Farc (Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia) obrigassem os camponeses a votar por ele, no interior do país.
ECONOMIA
Especialistas dizem que não há razões para achar que haverá grandes alterações do ponto de vista macroeconômico. Inflação e desemprego estão sob controle, e a perspectiva de crescimento do PIB é de 4% para este ano.
Porém, fatos pontuais, como a crise agrária, poderiam detonar um descontentamento generalizado entre os que não estão satisfeitos com os tratados de livre-comércio que o governo estabeleceu.
Em greve em vários Estados, e realizando protestos na capital Bogotá, os produtores agrícolas estão revoltados com o fato de que produtos importados chegam ao mercado muitas vezes mais baratos do que os colombianos.
Santos manteve-se em silêncio no primeiro semestre, quando os agricultores foram às ruas, mas, naquela época, ainda era favorito para vencer no primeiro turno.
Quando Zuluaga tomou a dianteira, Santos resolveu fazer reuniões com os produtores e prometeu atender suas reivindicações. Como fará isso não está claro, uma vez que não pretende cancelar os tratados. Uma alternativa seria iniciar uma política de subsídios, mas, para aprová-la, seria necessário o apoio do Congresso.
Com relação ao fim do conflito com as Farc, o próximo passo desenhado pelos negociadores será acertar os termos da anistia a ex-guerrilheiros. Trata-se de um item polêmico, pois, segundo pesquisa do Instituto Gallup, 78% dos colombianos são contra.
Os meios e as organizações de direitos humanos cobram transparência sobre as negociações. Mas Santos reafirmou que os termos serão secretos enquanto as conversas se desenrolam em Havana.
Outro ponto da agenda dos primeiros meses é a reeleição. Na campanha, Santos disse que quer alterar a Constituição para pôr fim à reeleição e mudar a duração dos mandatos para cinco anos (atualmente, são quatro). Há reeleição no país porque Uribe queria alcançar a segunda gestão, em 2006.
Com relação a políticos e intelectuais progressistas, que também apoiaram Santos de última hora, o presidente terá de provar que não governa apenas para a elite "cachaca" (de Bogotá).
Por fim, terá de lidar com uma nova rival, que saiu fortalecida da eleição. É Marta Lucía Ramírez, líder conservadora, que teve 2 milhões de votos e apoiou Zuluaga no segundo turno. Com pretensões presidenciais para 2018, Ramírez declarou que seu partido fará oposição ao processo de paz.

IDOSOS ASSEDIADOS: Cliente lesado em empréstimo pode buscar ajuda.


FOLHA DE SP
Cliente lesado em empréstimo pode buscar ajuda
DE SÃO PAULO
O primeiro passo antes de contratar um empréstimo, segundo especialistas, deve ser uma reestruturação do orçamento familiar.
Mesmo que o financiamento seja inevitável, a reorganização das despesas pode diminuir o valor do crédito necessário.
Segundo especialistas, a recomposição salarial dos aposentados nos últimos anos contribuiu para o aumento do endividamento dos idosos.
"Os idosos têm sido assediados por familiares e instituições financeiras e caído num ciclo de endividamento perpétuo", diz Marcelo Segredo, diretor da ONG ABC (Associação Brasileira do Consumidor).
Fábio Pina, assessor econômico da Fecomercio-SP, diz que, com a atual desaceleração do crédito e do crescimento econômico, o momento, agora, é de maior cautela.
"Aumentaram os riscos para todos."
CANAIS DE AJUDA
Para quem já tem dívidas, analistas recomendam uma análise cuidadosa dos contratos firmados.
Especialistas afirmam que é proibido vincular a concessão de um empréstimo à comercialização de outros produtos, como os seguros prestamistas, que garantem o pagamento do financiamento.
Se o cliente quiser produtos desse tipo, deverá autorizar a contratação por escrito ou meio eletrônico.
Empréstimos com débito direto na conta também precisam ser autorizados.
Caso se sinta lesado em uma operação de crédito, o cliente pode recorrer diretamente ao banco por meio de SACs e ouvidoria --ou a canais externos.
É possível, por exemplo, registrar uma queixa na área de atendimento ao cidadão no site do Banco Central (www.bcb.gov.br).
Outros caminhos são a procura da defensoria pública, das delegacias dos idosos, dos tribunais de pequenas causas e dos Procons. Esses canais prestam atendimento gratuito.
Há ainda a opção de buscar a ajuda de ONGs que oferecem orientação e atendimento jurídico para consumidores que estão enfrentando problemas com dívidas. 

SOLIDARIEDADE DE GERAÇÕES: Os princípios constitucionais da Previdência Social.


Os princípios constitucionais da Previdência Social

Quem já se aposentou no sistema de repartição simples tem direito adquirido à aposentadoria e sua inalterabilidade, não mais necessitando contribuir para a previdência, em razão, sobretudo, do princípio da solidariedade de gerações.
A ordem social é o ultimo tema a ser positivado na Carta Magna. Isso deve ter um significado em si.
Adotando a premissa de que as matérias foram tratadas na Constituição a partir de sua importância, verificamos que em primeiro lugar vem os Princípios Fundamentais da República, seguidos dos direitos e garantias fundamentais.
Logo após temos a organização do Estado, de seus poderes, e a defesa do Estado e das instituições democráticas. Seguem-se a tributação, o orçamento e a ordem econômica e financeira.
Por último, temos a ordem social, baseada no primado do trabalho, tendo como objetivo o bem-estar e a justiça social. Estabeleceu-se um trinômio aparentemente antinômico.
Como pode o primado do trabalho oferecer sustentáculo para ações tão diversas como: a seguridade social; a educação, a cultura e o desporto; a ciência e a tecnologia; a comunicação social; o meio ambiente, a família, a criança e o adolescente e o idoso; e, por último, os índios?[1]
A resposta é complexa e está longe de ser evidente. Contudo, dado o escopo restrito da presente análise, deter-nos-emos no sistema da seguridade social, que compreende os subsistemas da saúde, previdência social e assistência social.
Qual a relação entre o primado do trabalho e o bem-estar e a justiça sociais? Melhor dizendo, onde o primado do trabalho e a saúde, a previdência e a assistência social se interceptam, se cruzam?
A estrutura do mercado de trabalho reflete as desigualdades sociais. Logo, os mecanismos contributivos de proteção social (cidadania laboral) precisam ser complementados por mecanismos solidários de proteção social, de forma a neutralizar as dinâmicas excludentes do mercado de trabalho evitando a dupla exclusão: do mercado de trabalho e da rede de proteção social.
Nesse sentido, o sistema constitucional de seguridade social compreende um conjunto integrado de ações de iniciativa dos Poderes Públicos e da sociedade, destinado a assegurar os direitos relativos à saúde, à previdência e à assistência social. A seguridade social será financiada por toda sociedade, de forma direta ou indireta, com recursos provenientes dos orçamentos dos entes federados e, também, de contribuições sociais específicas (tributos).
A saúde é direito universal de todos e dever do Estado e deve ser prestada gratuita e igualitariamente para toda a população, conforme determina o artigo 196 da Constituição Federal[2].
A previdência social visa à proteção do cidadão quando da perda, temporária ou permanente, da sua capacidade de trabalho. A assistência social, por fim, tem o objetivo de prover o atendimento das necessidades básicas dos cidadãos mais humildes, criando condições para a proteção à família, à maternidade, à infância, à adolescência, à velhice e à pessoa portadora de deficiência, independentemente de contribuição à Seguridade Social, com ações executadas pelo poder público ou pela iniciativa privada.
Os subsistemas da saúde, previdência e assistência social possuem uma relação de continência hierarquizada. Quanto melhores e mais eficazes as ações preventivas de saúde (como saneamento básico), maior e mais consistente a força laboral e a inclusão previdenciária contributiva. Consequentemente, menores os gastos com a assistência social. Portanto, no limite, perde sentido o discurso ideologizado acerca da segregação das despesas com os subsistemas da seguridade social, uma vez que as ações de seguridade social deverão ser compreendidas como um todo integrado e interdependentes entre si.
Dentre os princípios norteadores da seguridade social, destacam-se a universalidade da cobertura e do atendimento e a uniformidade e a equivalência dos benefícios e serviços (entre trabalhadores urbanos e rurais), cuja prestação deverá obedecer a critérios de seletividade e distributividade. Estabeleceu-se a irredutibilidade do valor dos benefícios, a equidade na forma de participação no custeio, a diversidade da base de financiamento e o caráter democrático e descentralizado da gestão administrativa. A previdência social brasileira cobre os riscos decorrentes dos seguintes eventos:

Textos relacionados

- doença; - invalidez; - morte; - idade avançada; - proteção à maternidade, especialmente à gestante; - proteção ao trabalhador em situação de desemprego involuntário; - salário-família e auxílio-reclusão para os dependentes dos segurados de baixa renda; e, - pensão por morte do segurado, homem ou mulher, ao cônjuge ou companheiro e aos dependentes.
Todos os riscos sociais básicos previstos na Convenção 102/1952 da OIT (Padrões Mínimos da Seguridade Social) são cobertos pelo sistema previdenciário brasileiro. Na seara previdenciária, os princípios da seguridade materializam-se da forma seguinte:
Princípio da contributividade e da universalidade da cobertura e do atendimento: concebendo-se a Previdência Social como um seguro, o sistema é organizado sob a forma de um regime de caráter contributivo. No entanto, como os riscos sociais atingem a todos democraticamente, a totalidade da sociedade sem distinção de profissões e categorias sociais tem o direito à proteção contra esses riscos, mediante contribuição ao sistema previdenciário (universalidade de cobertura). O princípio da universalidade permite que o Estado imponha a obrigatoriedade de adesão ao sistema, de tal forma que a proteção seja estendida a todos.
Princípio da obrigatoriedade: O princípio da obrigatoriedade estabelece que todos aqueles que exercem atividade remunerada devem contribuir com um percentual de sua renda para a Previdência Social, princípio este decorrente da universalidade e que leva em conta, sobretudo, a estabilidade social do Brasil.
Princípio do equilíbrio financeiro e atuarial: o subsistema da previdência social deve conter regras que garantam a sua sustentabilidade. Esse equilíbrio entre a receita e o passivo atuarial (quanto se paga anualmente de aposentadoria) é necessário não apenas para dar segurança às pessoas que contribuem mensalmente para o sistema, mas também para assegurar o pagamento dos benefícios àqueles que contribuíram no passado (ou tiveram contribuições creditadas ou orçadas ou garantidas em seu nome).
Princípio da equivalência dos benefícios e serviços às populações rurais e urbanas: segundo este princípio, as regras de Seguridade Social não devem privilegiar uns em detrimento de outros. A uniformidade diz respeito aos eventos que serão cobertos, enquanto a equivalência refere-se ao aspecto pecuniário ou de atendimento de serviços, sem a exigência de que estes ou os benefícios sejam iguais, mas sim, equivalentes.
Princípio da equidade: está relacionado à contribuição ao sistema de Seguridade Social, que deve ser estabelecida de acordo com a capacidade de cada individuo, da mesma forma que a retribuição ao segurado deve ser proporcional à sua contribuição.
Princípio da solidariedade entre gerações: baseia-se na premissa de que toda a sociedade economicamente ativa e o Estado devem contribuir para o pagamento dos inativos de hoje, de forma a garantir, não apenas a estabilidade social do país, como também cumprir o primado da função social da aposentadoria.
A Previdência oficial básica foi moldada no sistema de repartição simples, ou seja, num sistema de regime de caixa, no qual as receitas (contribuições) são destinadas ao pagamento de despesas atuais (aposentados de hoje), não havendo formação de reserva ou de poupança individual.
Vê-se que estão intrinsecamente ligados e, portanto, sustentados por este princípio, a universalidade, a obrigatoriedade de todos os ativos contribuírem, o equilíbrio financeiro e atuarial, a equivalência e a equidade.
Em um sistema de repartição simples (de caixa) o pagamento dos benefícios previdenciários instituídos somente pode ser alcançado se houver todo um grupo sustentando os incapazes, sobretudo nos momentos de risco imprevisíveis, como o evento morte, por exemplo.
A solidariedade é inerente à atividade econômica, que deve suportar tanto os benefícios programados (ex: aposentadoria por tempo de contribuição), como os meramente de risco (ex: auxílio-doença).
Logicamente, para que o sistema de repartição simples seja bem sucedido, além de obrigar os cidadãos a contribuírem, deve contar com revisão atuarial[3] anual da massa de contribuintes ativos, a fim manter equilibradas as contas. Por óbvio que desvios de receitas, cadastros falhos, fiscalização precária, políticas inconstantes e, sobretudo, falta de avaliação anual do perfil da massa de contribuintes comprometem não somente este, mas qualquer sistema de custeio previdenciário.
O direito à Previdência Social básica garante ao segurado um benefício definido quando da sua aposentadoria, custeado por toda a sociedade economicamente ativa à época de sua concessão. Ressalte-se que, o atual aposentado, quando da atividade contribuiu para os que antes deles se aposentaram, seja por desconto em folha, seja por contribuições sociais diversas, seja porque o Estado se incumbiu de fazê-lo, tudo isso nos termos legais. O princípio da solidariedade entre gerações subdivide-se em:
Princípio da solidariedade intragerações: também conhecido como pacto intrageracional, este princípio deve ser analisado de forma sistemática, uma vez que complementa o princípio da equidade, acima exposto. Uma vez que a equidade estabelece que o segurado seja retribuído em função de suas contribuições, o pacto intragerações flexibiliza aquele princípio ao admitir a distribuição de renda dentro do sistema, de modo que as regras do Sistema possam beneficiar os trabalhadores de menor poder aquisitivo, a fim de que seja fortalecida a coesão social.
Como exemplo desse pacto, o Estado concede isenções totais ou parciais de alíquotas de contribuição patronal sobre a folha de pagamento, são as chamadas renúncias fiscais – como forma de favorecer os mais humildes e como instrumento de fortalecimento de segmentos da sociedade considerados importantes para o desenvolvimento da economia (ex: entidades filantrópicas, empregadores rurais e empresas optantes pelo Simples).
Princípio da solidariedade intergerações, ou pacto intergeracional, concentra todo o fundamento do sistema de repartição simples, na medida em que estabelece a solidariedade de ativos para com os atuais inativos. Mais especificamente, pode-se afirmar que, por este princípio, a geração que está em atividade hoje é quem contribui para financiar os gastos previdenciários da geração que está aposentando ou aposentada.
Conclui-se, então, que quem já se aposentou no sistema de repartição simples tem direito adquirido à aposentadoria e sua inalterabilidade, não mais necessitando contribuir para a previdência, em razão, sobretudo, do princípio da solidariedade de gerações, base do atual sistema, que exclui, expressamente, os inativos desse ônus (que é de exclusiva responsabilidade da sociedade economicamente ativa e do Estado).
Ressalte-se, ainda, que o princípio da solidariedade entre gerações no sistema de repartição simples é tão intimamente ligado à função social das concessões dos benefícios previdenciários que não permite a devolução de contribuições aos segurados que saem do Regime. Primeiro, porque não são individualizadas e nem diretamente proporcionais ao benefício a ser concedido quando da elegibilidade do segurado; segundo, porque, ao ingressar num regime de repartição simples, o segurado está sob a égide do princípio constitucional da solidariedade, que pressupõe a submissão daquele ao pacto intergeracional.
Vale ressaltar que, na visão assentada pela jurisprudência do Supremo Tribunal Federal, o princípio da solidariedade passou a ter uma dimensão bem distinta da acima retratada. Por ser solidário, o sistema previdenciário comportaria taxações praticamente ilimitadas. Sob o espeque da solidariedade, o STF assentou a constitucionalidade da contribuição previdenciária do servidor público aposentado, bem como a limitação da retributividade estrita (que passaria a garantir apenas a criação de novo tributo sem a correspondente fonte de custeio e não a criação de nova fonte de custeio sem o correspondente incremento de benefício).
A partir do julgamento das ações diretas de inconstitucionalidade (ADI) propostas contra as sucessivas reformas previdenciárias, em especial a ADI 3.105, o STF adotou uma particularíssima visão dos princípios que regem a seguridade social, afastando-se, em certa medida, da doutrina previdenciarista. Tal entendimento possui um desdobramento extremamente prejudicial aos direitos e garantias fundamentais, não apenas dos servidores, mas de todos os cidadãos que estão sujeitos à voracidade da atividade tributária do Estado. Na medida em que a exação previdenciária[4] não conhece limites em uma contrapartida estatal, (em especial a exação de contribuições, cujo caráter assemelha-se ao da taxa, em uma vinculação direta entre recolhimento e benefício) as contribuições poderão ser instituídas a bel prazer do Fisco, sem nenhuma repercussão em benefícios, em razão da solidariedade do sistema.

[1] O desafio de compatibilizar o primado do trabalho com os objetivos da ordem social (bem-estar e justiça sociais) não é menor que o desafio oferecido pela ordem econômica: fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tendo por fim assegurar a todos uma existência digna, conforme os ditames da justiça social (artigo 170 da Constituição).
[2] Em janeiro de 2007 foi publicada a Lei 11.445 que estabeleceu o marco regulatório para o saneamento no Brasil.
[3] A revisão atuarial consiste na adequação das contas às tábuas biométricas de longevidade, natalidade, mortalidade e invalidez, bem como a atualização dos estudos demográficos.
[4] Nesse ponto, é importante lembrar que doutrina e jurisprudência sempre distinguiram a exação previdenciária dos demais tributos, conferindo-lhe um caráter mais aproximado das taxas (vinculação) e não de impostos (não vinculados).
·         Assuntos relacionados
·         Seguridade social
·         Contribuições especiais
·         Direito Previdenciário
·         Direito Tributário

Autor

·         Damares Medina

Damares Medina

Advogada, mestre em Direito e professora do Instituto Brasiliense de Direito Público (IDP).